Livros

Treze casos de viola e violeiros

Treze histórias que trazem o encanto e a magia de um universo mítico e popular

– 14/03/2010

TREZE CASOS DE VIOLA E VIOLEIROS
Do baú do mestre Quilim da Braúna
Fábio Sombra
112 páginas
Escrita Fina, 2010
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Além de ser membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, o escritor Fábio Sombra é violeiro e pesquisador do folclore brasileiro. Segundo ele, as treze histórias que compõem o livro foram transmitidas pelo famoso violeiro e excelente queijeiro Mestre Quilim. Verdade ou não, os contos trazem ao leitor a magia e o encanto das histórias contadas nas rodas de viola.

Com linguagem coloquial, o autor mostra o poder inventivo e a capacidade de impressionar da tradição oral. Os tocadores e construtores de viola se defrontam com assombrações, objetos amaldiçoados, seres encantados e o próprio Diabo.

As assombrações estão presentes na maioria dos contos do livro, cinco ao todo. Em alguns casos, elas recebem castigos por terem cometido um crime hediondo, como em “Um conselho do além”. Em outros momentos, voltam como guardiãs ou protetoras daqueles que a ajudaram, como mostra “O velhinho agradecido”. Enganar alguém no leito de morte não é uma boa ideia, como prova “O caixão do violeiro”. O morto pode voltar para se vingar do trapaceiro. Há também os espíritos como o do conto “O bom pagador”, que não descansam em paz enquanto não encerrarem as dívidas feitas em vida.

Outra figura bastante presente nas narrativas é o Capeta, ou Capiroto. O senhor dos infernos pune e atormeta os maus em “Um conselho do além” e “O baile das almas”. Ele também gosta de conseguir hóspedes extras através de pactos com violeiros que querem dominar a viola sem nenhum esforço. Prova disso são os contos “As setes aulas de viola” e “As mangas compridas do violeiro”. Essas histórias foram criadas a partir de clássicos das rodas de viola.

“A festa dos sacis” e “O violeiro e a filha do Caboclo-d’água” contam casos em que não é nada saudável descumprir a palavra dada aos seres encantados. Os curiosos e fanfarrões são punidos sem dó nem piedade.

As violas amaldiçoadas, que podem trazer azar ou matar os violeiros, aparecem em “A viola do compadre pobre” e “A viola Alcidina”. Já “Como a cascavel ganhou o seu chocalho” e “Os pernilongos da Amélia” são narrativas que procuram explicar fenômenos da natureza e crendices populares. Segundo a última história, as aranhas são animais abençoados por Nossa Senhora. Conforme a crença popular, um aracnídeo teria ajudado a esconder o menino Jesus e seus pais dos romanos.

Além de contar com as belas ilustrações feitas pelo autor, que lembram as xilogravuras usadas nos livros de cordel, a obra recebeu um cuidado especial da editora. A capa é envernizada e o projeto gráfico casa perfeitamente com os desenhos de Sombra. O manuseio do livro é bem prazeiroso.

Com competência, pesquisa e talento, Fábio Sombra transporta os leitores para o universo fantástico e misterioso das histórias das rodas de viola. Os “causos” do Mestre Quilim podem assustar em alguns momentos, mas com certeza, irão deliciar a todos. Os mais novos com certeza irão pedir bis.

Comentários (2)
  1. Andressa Rodrigues

    16 de setembro de 2012 - 22:27

    Olá td bem, possuo o livro adorei e gostaria de saber se tem criado outros, adorei o 1ª CAPITOLO, que fala sobre o caso da velinha que caregava uma viola com seus pecados, pois matou seu marido me deu um pouquinho de medo, mais li até o final e simplismente adorei gostei tambem do historia da aranha muito interecante bom obrigado por ter escrito um livro tao bom, beijos

  2. bia

    21 de agosto de 2013 - 13:08

    kkkkkkkkk é muito legal eu estouy lendo um da arrepio

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