Onde vivem os monstros
ONDE VIVEM OS MONSTROS
Where the wild things are
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze e Dave Eggers, baseado no livro de Maurice Sendak
Elenco: Forest Whitaker, Catherine Keener, Paul Dano, James Gandolfini, Catherine O’Hara, Lauren Ambrose, Tom Noonan, Alice Parkinson, Max Records, Michael Berry Jr.
Duração: 101 minutos
EUA, 2009
O filme é fiel à obra original na medida do possÃvel, pois o livro de Maurice Sendak tem cerca de 40 páginas e quase nenhum texto. Spike Jonze e Dave Eggers tiveram trabalho para fazer essa adaptação cinematográfica de 101 minutos. Os esforços da dupla resultaram num filme tocante sobre infância e crescimento.
Max é um garoto travesso de 8 anos. Quando veste a sua fantasia de lobo, fica mais terrÃvel ainda. Nos primeiros momentos do filme, como no livro, Max aparece correndo e gritando atrás do cachorro da famÃlia. Em seguida, para chamar a atenção da irmã, o menino joga bolas de neves nos amigos dela. Na história original, Sendak não dá nenhuma informação sobre a famÃlia de Max. Na adaptação, os pais do garoto são separados. O pai é ausente, e a mãe tem pouco tempo para os filhos devido ao trabalho. Claire, a irmã de Max, já é adolescente e não quer perder tempo tomando conta do irmão mais novo. Tendo uma famÃlia assim, não é de se admirar que o pritagonista tenha um comportamento nada exemplar. Ele quer um pouco mais de atenção e carinho.
Para piorar a situação, a mãe de Max arranja um namorado e o convida para jantar. O menino não gosta nada da situação e veste a fantasia de lobo. O garoto começa a provocar a mãe até ela perder a paciência e mandá-lo para o quarto como castigo. Max a morde acidentalmente e foge assustado. Numa mistura de realidade e imaginação, Max encontra um barco e decide embarcar nele. Depois de uma longa viagem, o menino chega a uma ilha e, depois de escalar uma montanha, encontra um grupo de monstros grandes e feiosos. A princÃpio, as criaturas querem devorar o invasor. Mas o garoto mente dizendo que é um rei com poderes mágicos que derrotou e dominou os vikings. Max se torna o soberano dos monstros. A primeira ordem do novo monarca é fazer uma grande bagunça, com direito a derrubada de árvores.
Diferente do livro, cada monstro no filme tem um nome e uma personalidade. Alexander, que parece um bode, é ignorado por todos e vive tentantado chamar a atenção. Já Douglas, a “águia”, é companheiro e sempre apóia os amigos. Carol, que aparece na imagem acima, é um bom sujeito, mas muito impulsivo. Além disso, ele e KW, a monstra de cabelos longos e sem chifres, vivem brigando como um casal de namorados.
Tendo como inspiração a maquete do mundo ideal de Carol, Max resolve construir uma fortaleza em que ele e seus súditos viveriam felizes para sempre. Para construir essa “utopia”, o rei dos monstros vai precisar aprender a lidar com sentimentos como raiva, ciúme, desconfiança, medo e inveja. Conforme o tempo vai passando, o menino começa a entender como é difÃcil entender e cuidar daqueles que amamos e como as coisas não saem como planejamos. Isso terá uma grande importância no amadurecimento do protagonista.
Uma explicação plausÃvel para o fato de Max usar uma fantasia de lobo é a simbologia por trás desse animal. O lobo está associado à vida selvagem, ao lado institivo e agressivo do ser humano. O animal também representa os processos de amadurecimento e lapidação interior. Por enxergar bem no escuro, o lobo é visto como guia. Por viver em bando, em que os membros cuidam uns dos outros e dividem a comida, o canÃdeo também é sÃmbolo de partilha e cuidado.
Os pequenos irão se divertir com as brincadeiras e confusões de Max e seus amigos, além de aprenderem algo sobre crescimento. Os adultos vão se emocionar com a história de um garoto que aprende a lidar com as frustrações e descobre como o amor e a amizade podem ser complicados, mas necessários na vida de todos.
