Na adolescência, Mariana Lima recebeu da madrinha um livro de Clarice Lispector com a dedicatória: “Estou lhe dando este presente aos 13 anos, mas só fui capaz de lê-lo aos 30″.
A iniciação literária causou na atriz um fascÃnio que desaguaria, anos depois, no espetáculo A paixão segundo G.H. e em sua versão “pocket”, Raiz quadrada menos um. Agora, Lima busca fundir as leituras infanto-juvenil e adulta da obra de Lispector numa “viagem para pais e filhos”: a peça A mulher que matou os peixes… e outros bichos.
O ponto de partida é o livro em que uma homônima da autora lamenta ter matado de inanição dois peixinhos vermelhos do filho. Ela salta do infortúnio para lembranças dos bichos que, convidados ou não, cruzaram sua vista ao longo dos anos.
Em cena, um quarto de brinquedos lisérgico esconde lagartixas, besouros, libélulas, gatos, cães e as indefectÃveis baratas de Lispector, que surgirão quando o trio de atores se meter a jogar a “corrida de animais”, o desafio de charadas ou o faz-de-conta de fábulas infantis. Aà entram remissões ao imaginário alucinógeno de Lewis Carroll e Sargent Pepper’s.
“Há na peça a representação dessa capacidade de invenção indiscriminada e excêntrica que a criança tem, e que eu acho que a literatura da Clarice também tem, de uma coisa nascer da outra, sem muita explicação”, diz Lima.
O mundo em technicolor não edulcora o discurso de Lispector sobre a morte. Ela surge sem eufemismos, incontornável, assim como as inquietações cosmogônicas da autora.
A MULHER QUE MATOU OS PEIXES… E OUTROS BICHOS
Quando: estreia hoje; sáb. dom. e feriados, às 16h; até 28/3
Onde: Sesc Av. Paulista (av. Paulista, 119, auditório, tel. 11 3179-3700)
Quanto: R$ 12
Classificação: livre


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