Nem só de filosofia vivem os gregos
Figuras mitológicas contrapondo-se à tradição cristã. É desta forma que o leitor aprofunda sua leitura nos versos do escritor grego Konstantinos Kaváfis (1863-1933). Considerado um dos mais importantes poetas da Grécia do século XX, ele inventa personagens de ficção, ambientados no passado.
Em Konstantinos Kaváfis: 60 poemas (Ateliê Editorial, 2007), o poeta cria tipos excêntricos, à s vezes fantasmagóricos e cÃnicos. O escritor provoca o leitor e o envolve em um jogo sensual por meio de seus versos. Outra obra que retrata muito bem os versos pungentes do grego é Poemas (José Olympio, 2006). Nela, Kaváfis reconstrói a história helênica com ingredientes prosaicos, como fragmentos de inscrições funerárias e crônicas bizantinas.
Em “À espera dos bárbaros”, um de seus poemas mais conhecidos, Kaváfis conduz o leitor pelas invasões dos bárbaros, e o seduz também, tanto que o fato não se consuma, apenas se desenrola.
Os textos de Kaváfis foram publicados postumamente. Poucos conheciam seus poemas. Os versos eram impressos em folhas soltas e distribuÃdas por ele a seus amigos. Ao total, são 154 poemas curtos. Mais de uma dúzia de textos permaneceram incompletos.
Cético, Kaváfis questionava a religião, o patriotismo e a heterossexualidade. Em alguns versos, o poeta grego evidencia sua fascinação pelo corpo de jovens, além de encontros furtivos com adolescentes em lugares secretos.
Kaváfis reconstrói a história grega e utiliza a tradição pagano-cristã como um meio para extravasar seus sentimentos. Seus personagens são movidos por verossimilhanças históricas.
