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Debate no Estadão revê trajetória de Euclides da Cunha

Internauta poderá acompanhar evento ao vivo; TV Cultura exibe nesta quinta documentário sobre o escritor

Clipping de Notícias – 13/08/2009

Estadão.com.br — Redação

O centenário da morte do autor de Os Sertões, um dos ícones da literatura brasileira, reúne sete acadêmicos, um escritor e um dramaturgo em três debates em torno do tema: “Euclides da Cunha 360º – A obra e o legado de um intérprete do Brasil”. O encontro vai acontecer no auditório do Grupo Estado nesta sexta-feira, 14, das 14h às 20h.

Já não há mais vagas para inscrições, mas o internauta vai poder acompanhar tudo ao vivo, pela TV Estadão, e poderá fazer perguntas aos debatedores. Visite ainda os especiais sobre o escritor no estadao.com.br e assista ao documentário que refaz sua viagem ao Amazonas na TV Cultura nesta quinta-feira, 13, às 23h30.

Euclides da Cunha, engenheiro, escritor e jornalista, acompanhou como correspondente do Estado a quarta expedição do Exército contra Antonio Conselheiro e seus seguidores na Guerra de Canudos (1896-1897), publicando seu ‘livro-reportagem’ primeiro nas páginas do jornal. Em 1902 os textos foram reunidos na forma de um livro com três partes: A Terra, O Homem e A Luta.

‘Ciclo dos Sertões’ é o primeiro debate, com foco no livro Os Sertões. A professora de literatura da USP, Walnice Nogueira Galvão, autora de mais de dez livros sobre a obra de Euclides e a Guerra de Canudos, entre eles Império do Belo Monte: Vida e Morte de Canudos (Fundação Perseu Abramo) e Diário de Uma Expedição (Companhia das Letras), vai comentar “a obra, sua composição e suas repercussões”, detendo-se especialmente na parte “1 – A Terra” e na parte “2 – A Luta” do livro.

Outro debatedor, o professor de literatura da PUC-RJ Luiz Costa Lima, autor de Euclides Da Cunha – Contrastes e Confrontos do Brasil (Contraponto), vai desenvolver sua análise a partir de um fragmento de frase de Os Sertões “[...] Gumplowicz, maior que Hobbes [...]“. Lima observa que “gerações de euclidianos não se têm preocupado em saber quem tenha sido o intrigante autor (Gumplowicz) e o que teria ele de fato escrito”.

Neste ciclo, que tem mediação do editor do Cultura Rinaldo Gama, participa ainda a professora de antropologia da USP Lilia Schwarcz, que abordará o trecho do livro O homem e a diferenciação feita por Euclides da Cunha entre o mestiço do litoral e o sertanejo, a partir da qual o autor cunhou a célebre frase: “o sertanejo é antes de tudo um forte”.

O segundo debate, ‘Ciclo da Amazônia’, será mediado pelo jornalista Daniel Piza, editor executivo e colunista do Estado, que refez no início deste ano ao lado fotógrafo Tiago Queiroz, o roteiro feito por Euclides pela Amazônia em 1905. Participa do debate o escritor amazonense Milton Hatoum, autor de Dois Irmãos e colunista do Estado, que fará “um breve comentário crítico da visão de Euclides sobre a natureza (amazônica) e também sobre a relação civilização/barbárie”.

Hatoum vai analisar alguns ensaios de À Margem da História, obra póstuma de Euclides, publicada um mês após a sua morte. Já o tema da palestra do professor de literatura da Unicamp, Francisco Foot Hartman, será Prosa amazônica abortada + Poesia feita lá. Hartman destacará os poemas que Euclides fez na Amazônia e que estarão no livro dos quais é um dos organizadores, com poesia completa de Euclides, a ser publicado em outubro pela editora da Unesp. A socióloga Nísia Trindade Lima, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, pretende “tecer considerações sobre viagens e interpretação do Brasil, abordar dois pontos que considero importantes sobre o Euclides ‘viajante’”.

‘Os Ciclos de Euclides’ promete ser o terceiro, último e mais acalorado dos debates da jornada. Com mediação da jornalista Laura Greenhalgh, editora-executiva do Estado, contará com a participação do polêmico dramaturgo Zé Celso, vai contar sobre os DVDs gravados durante a encenação dos três episódios de Os Sertões no Teatro Oficina.

As biografias de Euclides da Cunha vão pontuar a palestra do professor de literatura latino-americana da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Leopoldo Bernucci, enquanto o professor do Instituto de Artes da Unesp, José Leonardo do Nascimento, comentará a recepção da obra de Euclides da Cunha. Ou, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, que nasceu em Cantagalo, no Rio de Janeiro, em 1866 e morreu no dia 14 de agosto de 1909, morto em uma troca de tiros com o amante de sua mulher, o tenente Dilermando de Assis.

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