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Era 15 de novembro de 1959 e uma religiosa e honesta famÃlia estava em sua fazenda, chamada River Valley, na pacata cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos. Até que dois homens resolveram invadir o local naquela noite em busca de uma fortuna escondida em um cofre – que não existia – e deram notoriedade à região ao matarem os quatro membros de uma famÃlia que ali morava: o casal Bonnie e Herb Clutter e seus filhos caçulas Nancy e Kenyon.
Além de chocar os moradores do lugar, a história chamou a atenção de um jornalista perspicaz e atento: Truman Capote. Ao ler sobre o crime em uma nota de jornal, Capote deixou Nova York, onde vivia, e foi até Holcomb para saber mais daquele terrÃvel ocorrido.
Após seis anos de muitas investigações, pesquisas, visitas a River Valley e entrevistas – inclusive com Perry Smith e Dick Hickock, os assassinos –, o escritor lançou A sangue frio, um livro que virou best-seller em todo o mundo, ganhou traduções em 30 idiomas e se tornou precursor do chamado jornalismo literário.
Na obra, Capote conta detalhes dos últimos dias da vida dos Clutter, desde as visitas à igreja local às brigas entre os irmãos e até mesmo as crises depressivas da matriarca, até o dia da cruel chacina.
O jornalista relata ainda a investigação da polÃcia, os suspeitos, o impacto do crime na pequena comunidade e a fuga, o histórico, a prisão e condenação dos assassinos. Ele visitava Dick e Perry na prisão com frequência e há quem afirme até que tenha se envolvido com este último.
O genial escritor costumava dizer que registrava em sua mente 95% de tudo o que ouvia e, por isso, não usava gravadores em suas entrevistas. Essa peculiaridade deixa algumas dúvidas quanto a veracidade do que é contado, já que não há registros para comprovar as conversas.
Mas o estilo elegante e primoroso de Capote de contar a história de uma forma envolvente, fazem A sangue frio ser um daqueles livros que o leitor não se desgruda das páginas até terminar a leitura.


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