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Com capas de papelão, livros por R$ 6

Projeto apoia jovens e catadores

Clipping de Notícias – 23/11/2009

Estadão.com.br — Redação

Em uma salinha na Vila Madalena, a artista plástica Lúcia Rosa não se cansa de ensinar jovens a montar livros. Um trabalho artesanal, feito um a um. A capa, de papelão, é pintada com guache; o miolo, diagramado e impresso graças a um computador simples, é grampeado e colado; dentro, desde obras de escritores alternativos até publicações de Manoel de Barros, Alice Ruiz, Haroldo de Campos, Glauco Mattoso, Marcelino Freire…

O projeto Dulcinéia Catadora – homenagem a uma catadora de papel chamada Dulcinéia Santos que, segundo Lúcia, “representa bem a batalha pela vida”, além de se referir à Dulcinéia de Dom Quixote, “o amor impossível” – nasceu de forma embrionária na Bienal de Arte de 2006, inspirado em similar argentino.

No ano seguinte, começou a publicar livros de autores contemporâneos. Sempre em baixas tiragens, de 50 a cem exemplares. “Pedimos autorização para os escritores, que não ganham nada com isso”, afirma Lúcia. Cada exemplar é vendido por R$ 6 – pedidos podem ser feitos pelo e-mail dulcineiacatadora.pedidos@gmail.com – e toda a renda é revertida para o projeto.

Os jovens que trabalham na confecção dos livros ganham R$ 6 por hora. “Gosto de fazer isso porque um dia quero estudar para ser designer gráfico”, diz Maurício Araujo da Silva, de 20 anos, que mora em Interlagos e participa do Dulcinéia desde o início do ano. “Descobri o projeto há pouco tempo; é a minha segunda vez aqui”, conta Janaína Aparecida da Silva, de 25 anos, que mora na Parada Inglesa e sonha um dia se tornar jornalista.

O papelão para as capas é adquirido dos catadores por R$ 1 o quilo – cooperativas de reciclagem costumam pagar de R$ 0,20 a R$ 0,30 pela mesma quantidade.

Às 21 horas de hoje, a Mercearia São Pedro – Rua Rodésia, 34, Vila Madalena – será a sede do lançamento de mais dois títulos da Dulcinéia: Tribêbada, antologia de contos de vários autores; e Signicidade, do premiado poeta Frederico Barbosa. “São poemas ligados à questão urbana”, adianta Barbosa, sobre seu livro.

“Acho o projeto (Dulcinéia) muito importante porque aproxima a moçada de uma literatura que talvez eles nunca teriam contato e une artes plásticas e literatura”, diz. “E é um trabalho ecológico muito curioso de reciclagem.”

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