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	<title>Literatsi &#187; Livros</title>
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	<description>Livros e Literatura</description>
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		<title>Estrada, A</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Mar 2011 17:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[A estrada]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Cormac McCarthy]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[mundo pós-apocalíptico]]></category>

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		<description><![CDATA[Para fugir de um longo e rigoroso inverno, pai e filho realizam uma difícil e perigosa jornada pelas estradas abandonadas de uma América pós-apocalíptica ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="A estrada" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/estrada.jpg" alt="" width="200" height="312" />A ESTRADA</strong><br />
 <em>The road</em><br />
 Cormac McCarthy<br />
 Tradução de Adriana Lisboa<br />
 240 páginas<br />
 Alfaguara (Objetiva), 2006<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8560281266&amp;sid=18969212311823478243062011">Comprar</a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>A ideia de um mundo devastado pela guerra tem inspirado vários escritores, especialmente os de ficção científica. É enorme a quantidade de histórias que mostram homens lutando contra seus semelhantes pela sobrevivência. Os derrotados são escravizados ou devorados pelos vencedores.</p>
<p>Criar algo original com um tema bastante explorado é um grande desafio. O escritor Cormac McCarthy não se intimidou. O resultado é um romance comovente cujo ponto forte reside na relação entre os dois protagonistas, pai e filho, que lutam para sobreviver em uma América pós-apocalíptica.</p>
<p>Com a proximidade de um inverno bastante rigoroso, os dois personagens principais decidem seguir por estradas abandonadas em direção à costa, mesmo não sabendo o que encontrarão por lá. Para essa perigosa jornada, pai e filho contam com um carrinho de compras, uma pequena quantidade de alimentos, cobertores em farrapos e um revólver com poucas balas para se defenderem dos grupos de assassinos e canibais que vagam pelas estradas.</p>
<p>O autor fornece poucas informações sobre o que aconteceu com a Terra. Através das memórias do pai, é possível deduzir que houve uma guerra mundial, embora não seja revelada a causa. Também é dito o que aconteceu com a mãe do menino. Para não estragar a diversão dos que forem ler a obra, nada será dito sobre o destino da personagem.</p>
<p>Doente e atormentado por pesadelos, o pai se esforça para passar segurança ao menino e não demonstrar fraqueza. O amor que sente pelo filho é o que o impele a seguir em frente, além de não o deixar enlouquecer ou se entregar à selvageria.</p>
<p>Mesmo crescendo num cenário hostil, o menino é capaz de atos de bondade e compaixão. Quando encontra um outro menino, ele pede ao pai que adote a criança perdida. Em outro momento, o garoto insiste para que o outro protagonista dê um pouco de comida a um velho que encontraram na estrada. A maior demonstração de bondade acontece quando o filho implora ao pai para poupar a vida do ladrão que os havia roubado.</p>
<p>Apesar de gerar alguns pequenos desentendimentos, o protagonista adulto aprecia e incentiva o lado humanitário do filho. O pai sempre afirma que eles são os “caras do bem” e que “levam o fogo”. Esse fogo simbólico é o amor, sentimento que os mantém unidos e os impulsiona a prosseguir em sua jornada em busca de salvação. Enquanto houver um ser humano capaz de amar o próximo, haverá a possibilidade, mesmo pequena, de que a humanidade abandone novamente a barbárie e crie uma nova sociedade.</p>
<p>Apesar de triste, o final do livro traz uma mensagem de esperança, além de mostrar o quanto o menino amadureceu. Os mais sensíveis irão derramar algumas lágrimas. Os mais resistentes sentirão um nó na garganta.</p>
<p>O uso de termos gastronômicos pode não ser a maneira mais original de atestar a qualidade do romance de Cormac McCarthy, mas expressa bem o valor do livro. O autor é um grande <em>chef</em>, consegue criar um prato saboroso e sofisticado a partir de um simples arroz com feijão. Usa um ingrediente tão batido como o tema do mundo pós-apocalíptico e adiciona como tempero a relação entre pais e filhos.</p>
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		<title>Sr. Ardiloso Cortês</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 19:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Derek Landy]]></category>
		<category><![CDATA[Sr. Ardiloso Cortês]]></category>

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		<description><![CDATA[O esqueleto cheio de estilo Ardiloso Cortês precisa impedir que um poderoso artefato caia em mãos erradas e que deuses malignos destruam a humanidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Sr. Ardiloso Cortês" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/ardiloso-cortes.jpg" alt="" width="200" height="293" />SR. ARDILOSO CORTÊS</strong><br />
 <em>Skulduggery Pleasant</em><br />
 Série <em>Sr. Ardiloso Cortês</em>, vol. 1<br />
 Derek Landy<br />
 Tradução de Edmo Suassuna<br />
 310 páginas<br />
 Galera Record (Record), 2008<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8501078808&amp;sid=18969212311823478243062011">Comprar</a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Stephanie é uma garota de 12 anos que tinha uma vida bem comum, meio sem graça, numa cidadezinha litorânea da Irlanda. A rotina tranquila incomodava a garota. Ela sempre sentiu falta de algo, mas não sabia do quê. Porém, a morte de um tio muito querido muda a vida dela de forma radical.</p>
<p>O famoso e excêntrico escritor Gordon Edgley morre vítima de um fulminante ataque cardíaco. Mesmo não sendo novidade que Stephanie era sobrinha predileta de Gordon, todos se surpreendem quando ela herda a maioria dos bens do tio, incluindo os direitos autorais dos livros escritos por ele e uma enorme mansão cheia de mistérios. É nesse casarão que a garota será apresentada a um novo mundo: oculto, fascinante e perigoso.</p>
<p>Na sua primeira noite sozinha na mansão, Stephanie é atacada por sujeiro estranho e perigoso, mas o salvador da jovem é mais estranho ainda. Um esqueleto detetive que atende pelo exótico nome de Ardiloso Cortês. Além de ter uma língua afiada, o esqueleto sabe usar os punhos e lançar bolas de fogo.</p>
<p>Stephanie descobre que as histórias de terror e magia escritas pelo tio não eram mera ficção, elas são baseadas em fatos reais. Gordon Edgley não morreu de ataque cardíaco. Foi assassinado por um feiticeiro maligno chamado Nefasto Serpênteo. O vilão está atrás de um poderoso artefato mágico. Serpênteo pretende usar o objeto para invocar os Sem Rosto, deuses perversos que querem dominar o mundo e destruir a humanidade.</p>
<p>A possibilidade de viver num mundo habitado por magos e criaturas fantásticas não assusta Stephanie. Pelo contrário, a garota parece ter encontrado a maneira perfeita de preencher o seu vazio existencial. Mesmo colocando a vida em perigo, Stephanie decide ajudar Ardiloso Cortês nas investigações sobre os planos de Nefasto Serpênteo. Mais adiante, a garota irá descobrir que tem uma ligação muito forte com o mundo do esqueleto detetive, maior do que imagina.</p>
<p>Esqueça as tradicionais lutas de magos. No mundo de Ardiloso Cortês, eles não ficam balançando varinhas nem recitando frases em latim. Além de feitiços ofensivos como raios e bolas de fogo, os feiticeiros usam os punhos e as armas. A feiticeira Tanith Low, aliada de Cortês, prefere lutar com espada a usar magia. Além de utilizar magia elemental, o esqueleto Ardiloso Cortês possui um revólver e é habilidoso na luta corporal. Isso realmente será útil a ele, pois além de feiticeiros malignos, o detetive irá encarar também vampiros, zumbis, homens de papel e monstros que se alimentam de magia.</p>
<p>Como toda boa história de ação e suspense, há mortes e traições no enredo. Apesar da presença de personagens de atitudes suspeitas, as traições virão dos mais improváveis indivíduos. Nefasto Serpênteo é bastante dedicado à missão de libertar os Sem Rosto. O feiticeiro não vem problemas em eliminar de forma bem dolorosa aqueles que cruzam o seu caminho.</p>
<p>O humor também está presente no livro de Derek Landy, principalmente nos diálogos envolvendo o esqueleto detetive. Ardiloso Cortês parece sentir um certo prazer em irritar Stephanie, além de provocar com ironias os adversários. Por trás do jeito bem-humorado e irônico do detetive se esconde um forte desejo de vingança e um passado trágico que envolve uma guerra já terminada entre feiticeiros.</p>
<p>Além do próprio Ardiloso Cortês, outro fator que chama bastante a atenção é a questão que envolve os nomes dos personagens. Cada um mais exótico e criativo que o outro. Porcelana Tristeza, Medonho Reservado, Sr. Êxtase e Tomo Sagaz são alguns exemplos. No universo criado por Derek Landy, saber o nome verdadeiro de algo ou alguém permite que essa pessoa ou coisa seja controlada. Até um nome dado serve para exercer tal controle.</p>
<p>Cada pessoa tem no mínimo dois nomes. Um que é o verdadeiro, com o qual ela nasce e é desconhecido até mesmo para a própria pessoa. Caso o nome verdadeiro seja descoberto, o indivíduo perde o livre-arbítrio e se torna um fantoche nas mãos dos outros. O nome dado, ou de batismo, é atribuído à pessoa pelos pais ou responsáveis. Os feiticeiros utilizam ainda um terceiro nome, escolhido por eles mesmos. Esse nome escolhido protege e sela o nome dado, impedindo que o mago seja controlado e influenciado por seus pares. Isso explica a presença de tantos nomes exóticos e criativos.</p>
<p>O irônico esqueleto detetive Ardiloso Cortês é sem dúvida um personagem difícil de se esquecer. Além disso, a trama cheia de ação e cenas de luta torna a leitura uma experiência divertida e empolgante. O leitor não lê o livro, mas o devora. A série criada por Derek Landy é viciante. Clamamos por mais histórias com o esqueleto mais cheio de estilo de todos os tempos.</p>
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		<title>Nômade</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2011 18:41:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Orsi Martinho]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Nômade]]></category>

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		<description><![CDATA[Para salvar os amigos e a si mesmos, Peleu e Helena precisam desvendar os mistérios da nave espacial Nômade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Nômade" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/nomade.jpg" alt="" width="200" height="299" />NÔMADE</strong><br />
 <strong>Uma aventura no espaço</strong><br />
 Coleção <em>Jovem Leitor</em><br />
 Carlos Orsi Martinho<br />
 Ilustrações de Renato Alarcão<br />
 152 páginas<br />
 Ciranda de Letras (Autores Associados), 2010<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=856201804x&amp;sid=18969212311823478243062011">Comprar</a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>A história se passa num futuro distante. A nave espacial Nômade deixou a Terra há duzentos anos. A imensa tripulação da astronave irá colonizar um planeta distante. Os tripulantes da Nômade estão divididos em três tribos: Argos, Dárdano e Arcádia. Cada uma ocupa um módulo na nave. O supercomputador Nestor é quem cuida das funções automáticas da Nômade.</p>
<p>Geração após geração, os habitantes da nave espacial são treinados para aprenderem a sobreviver com o mínimo de recursos no novo planeta. O futuro das novas gerações depende do sucesso das missões de exploração. Os tripulantes da Nômade não irão somente viver naquele novo mundo, mas daquele novo mundo.</p>
<p>Uma das principais atividades do treinamento é o acampamento no módulo que reproduz o ambiente do planeta destino. Além de uma melhor preparação, a atividade permite uma integração maior entre os membros das três tribos. É justamente no acampamento que tem início a aventura narrada no livro de Carlos Orsi.</p>
<p>Após abrir o livro com uma cena inesperada para uma história que se passa dentro de uma nave espacial, o autor apresenta o grupo de jovens do qual fazem parte o casal de protagonistas: Peleu e Helena. A cena mencionada não será descrita aqui para não estragar a surpresa dos que forem ler o livro.</p>
<p>Aos poucos começam a ocorrer fatos estranhos no acampamento: os animais começam a se comportar de forma estranha, a gravidade diminui e o calor aumenta, entre outros acontecimentos. A situação fica séria quando um dos integrantes do grupo de jovens sofre um grave acidente. Sem condições de tratar o acidentado, os companheiros deste pedem ajuda a Nestor, mas o supercomputador ignora o pedido.</p>
<p>Peleu e Helena decidem se separar do grupo para conseguir socorro para o companheiro ferido, além de descobrir o que está acontecendo com o módulo onde eles estão. Durante a jornada dos dois jovens um novo mistério aparece: os tripulantes adultos desapareceram sem deixar vestígios.</p>
<p>Em sua busca por respostas, a dupla de protagonistas irá se deparar com cenários perigosos como pântanos, montanhas e túneis escuros. Enquanto exploram os vários locais da Nômade, Peleu e Helena terão que lidar, além da baixa gravidade e do frio, com animais selvagens, robôs e criaturas alienígenas. Parte da aventura também acontece na realidade virtual. As habilidades adquiridas no treinamento aliadas com raciocínio rápido e autocontrole serão fundamentais para o sucesso da missão.</p>
<p>Além de divertida, a narrativa é linear, ou seja, os fatos narrados seguem uma ordem cronológica, o famoso começo-meio-fim. Quando há necessidade de explicar alguma ideia ou conceito na história, o autor o faz utilizando linguagem simples e clara. Um fato interessante é que os nomes dos personagens e das tribos foram retirados da antiga cultura grega, principalmente da mitologia.</p>
<p>Apesar de destinado ao público juvenil, os leitores mais velhos também poderão se interessar pelo livro, pois sempre queremos saber a resposta de um enigma intrigante e adoramos uma boa história de aventura.</p>
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		<title>Janela de esquina do meu primo, A</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 01:16:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[A janela de esquina do meu primo]]></category>
		<category><![CDATA[Hoffmann]]></category>

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		<description><![CDATA[Com traços autobiográficos, narrativa de Hoffmann flerta com realismo e mostra um pequeno painel social da Berlim do século XIX]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="A janela de esquina do meu primo" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/janela-de-esquina.jpg" alt="" width="200" height="287" />A JANELA DE ESQUINA DO MEU PRIMO</strong><br />
 <em>Des Vetters Eckfenster</em><br />
 E. T. A. Hoffmann<br />
 Ilustrações de Daniel Bueno<br />
 Tradução de Maria Aparecida Barbosa<br />
 80 páginas<br />
 Cosac Naify, 2010<br />
 <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8575038907&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></strong></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O livro traz a última narrativa completa do autor. Originalmente escrita para a revista alemã <em>Der Zuschauer</em> (<em>O Observador</em>), <em>A janela de esquina do meu primo</em> difere dos trabalhos anteriores de Hoffmann por não ser uma história fantástica nem fantasmagórica, além de apresentar características realistas.</p>
<p>De teor autobiográfico, a obra mostra a visita do narrador a um primo doente. Assim como o personagem enfermo, Hoffmann sofria de uma paralisia crônica que provocava fortes dores, e estava sob os cuidados de um enfermeiro. Há referências a outras obras do autor, como <em>O pequeno Zacarias, chamado de Cinábrio</em> e <em>O pátio de Artur</em>.</p>
<p>Impossibilitado de se locomover, a única forma do paralítico interagir com o mundo exterior é através da janela de seu apartamento, localizado em frente a uma praça. “(E)ssa janela é meu consolo, aqui a vida alegre ressurgiu para mim e eu sinto reconciliado com o movimento incessante que me proporciona”.</p>
<p>Durante a visita do narrador, o primo doente, que também é escritor, vai ensinar ao visitante “as primícias da arte de enxergar”. Através de observações e reflexões sobre os frequentadores de uma feira na praça que fica em frente à sua janela, o enfermo ao primo o que se esconde na multidão amorfa. O personagem escritor levanta hipóteses sobre a identidade de algumas pessoas presentes na feira a partir da aparência física, das roupas, dos gestos e do que elas compram ou vendem.</p>
<p>Além de ser assunto da conversa dos dois primos, a feira pode ser vista como “uma imagem fiel da vida eternamente mutável”. Apesar do intenso movimento e do barulho, chega o momento em que ela deve acabar, morrer. “(S)ilenciam-se as vozes que se misturavam e confundiam num barulho desordenado, e cada posto abandonado pronuncia de maneira extremamente vívida: acabou!”.</p>
<p>Através da conversa entre os dois primos, o autor apresenta um pequeno painel social da cidade alemã de Berlim no século XIX. Entre os assuntos abordados estão o comércio, os costumes e as mudanças no cenário urbano.</p>
<p>O posfácio escrito pelo professor de teoria literária da USP Marcus Mazzari enriquece a leitura da obra. O ensaio traz informações sobre a vida de Hoffmann e o contexto histórico-social em que a narrativa foi escrita. Mazzari faz comentários sobre o estilo e o enredo de <em>A janela de esquina do meu primo</em>.</p>
<p>O ilustrador Daniel Bueno recria a praça descrita por Hoffmann com a técnica de colagem, a partir de imagens do século XIX. Pequenas partes da grande ilustração de Bueno se juntam ao texto para dar ao leitor a sensação de estar observando pela janela as pessoas descritas pelos dois primos.</p>
<p>O tratamento editorial dado ao livro pela Cosac Naify merece elogios. Além da bela capa dura, o texto da obra está bem distribuído nas páginas do livro. Nada de letras minúsculas e linhas apertadas. Isso torna a leitura do livro bem agradável. É praticamente impossível discordar da opinião do professor de literatura e crítico Modesto Carone, expressa na quarta capa: “Quem ler sem dúvida vai gostar”.</p>
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		<title>Mar de Monstros, O</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 20:52:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[No segundo volume da série <i>Percy Jackson e os olimpianos</i>, o filho de Poseidon e seus amigos partem em busca do Velocino de Ouro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="O Mar de Monstros" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/mardemonstros.jpg" alt="" width="200" height="300" />O MAR DE MONSTROS</strong><br />
 <em>The Sea of Monsters</em><br />
 Série <em>Percy Jackson e os olimpianos</em>, vol. 2<br />
 Rick Riordan<br />
 Tradução de Ricardo Gouveia<br />
 304 páginas<br />
 Intrínseca, 2009<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8598078441&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Depois de um ano escolar calmo, Percy Jackson se envolve em uma nova aventura. Após sobreviver a uma perigosa partida de queimada contra os lestrigões, gigantes canibais, o jovem protagonista descobre através da amiga Annabeth que o Acapamento Meio-Sangue está em perigo. Alguém envenenou a árvore de Thalia, que criava uma barreira mágica para proteger o local. Por causa disso, os meio-sangues (semideuses) que vivem lá estão expostos aos ataques dos monstros.</p>
<p>Para evitar que o acampamento seja destruído, Percy, Annabeth e Tyson, um garoto grandalhão e imune ao fogo, partem em busca do Velocino de Ouro, único objeto capaz de curar a árvore mágica. Além disso, o trio de heróis precisará resgatar o sátiro Grover, mantido prisioneiro pelo perverso ciclope Polifemo. Para realizar as duas missões, Percy e seus companheiros devem ir até o Mar de Monstros, localizado no Triângulo das Bermudas.</p>
<p>Por se tratar de uma aventura cuja maior parte ocorre no mar, o escritor Rick Riordan busca inspiração na <em>Odisseia</em> e na história de Jasão e os argonautas. O autor pega personagens e episódios dessas clássicas narrativas e os atualiza de uma forma bem-humorada. A feiticeira Circe é dona de um spa e gosta de transformar homens em porquinhos-da-índia. O monstro Caríbdis usa aparelho nos dentes. Além disso, o autor usa outros mitos gregos para criar cenas engraçadas. Centauros usando armas de <em>paintball</em> para invadir um navio infestado de monstros. As redes de <em>fastfood</em> são as cabeças da hidra e se espalham pelo mundo como uma verdadeira praga.</p>
<p>Mas não é somente o humor que torna a leitura da obra atraente, a narrativa ágil aliada às revelações e reviravoltas espalhadas pela história prendem o leitor. O meio-sangue traidor Luke e o titã Cronos, que também estão atrás do Velocino de Ouro, armam emboscadas para atrapalhar Percy e seus companheiros. A verdadeira razão para o pacto entre os deuses Zeus, Hades e Poseidon, além do surgimento de uma personagem que promete mudar os rumos da história, deixarão os leitores espantados.</p>
<p>Narrado pelo próprio Percy Jackson, o segundo volume da série P<em>ercy Jackson e os olimpianos</em> é uma boa pedida para aqueles que gostam de uma boa história de aventuras. O estilo bem-humorado de Rick Riordan junto com as referências à mitologia grega e as diversas revelações e reviravoltas irão atrair mais fãs para a série. As expectativas criadas para os próximos volumes são grandes.</p>
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		<title>Copa que interessa, A</title>
		<link>http://www.literatsi.com/resenha/livro/copa-que-interessa/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 19:57:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Um guia bem-humorado sobre a Copa que vai além do futebol]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="A Copa que interessa" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/copa-que-interessa.jpg" alt="" width="200" height="328" />A COPA QUE INTERESSA</strong><br />
 Eduardo Menezes<br />
 156 páginas<br />
 Dublinense, 2010</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Entre os diversos títulos disponíveis sobre a Copa, eu recomendo a leitura do livro do publicitário Eduardo Menezes. Ao contrário da maioria das obras sobre o assunto, <em>A copa que interessa</em> não se prende ao que acontece somente no gramado, não se restringe a comentar lances e escalações. O livro apresenta assuntos e curiosidades que vão além da seara esportiva. &#8220;Se futebol fosse tão divertido quando (<em>sic</em>) dizem, o planeta inteiro não seria obrigado a esperar quatro anos para ficar grudado em frente à televisão e ver sua seleção entrar em campo&#8221;.</p>
<p>Com boa dose de humor, o autor vai além do futebol e apresenta ao leitor detalhes interessantes sobre os países que participam da Copa: história, geografia, política, estatística, boatos, casos bizarros, estereótipos redutores.</p>
<p>Um dos textos mais divertidos do livro é sobre o México. Utilizando falas e expressões dos personagens dos seriados <em>Chaves</em> e <em>Chapolim</em>, Eduardo Menezes mostra a trajetória da seleção mexicana na Copa:</p>
<p><em>Na hora de enfrentar futebolistas de mais qualidade, os mexicanos se encolhem de tal modo que parecem ter tomado pílulas de nanicolina. O futebol decresce, a criatividade dos jogadores some e eles parecem só querer evitar a fadiga.</em></p>
<p>Apesar da presença de humor na obra, nada impede que o autor faça alguns comentários ácidos:</p>
<p><em>Toda essa história </em>[<em>de derrotas do Brasil na Copa</em>]<em> mostra que somos tão bons para achar desculpas ou culpados pelos nossos fracassos quanto somos habilidosos com a bola nos pés. Pode ser um juiz, o comportamento de um atleta, podem ser os comunistas, goleiros peruanos ou vilões argentinos, sempre haverá uma explicação, por mais fantasiosa que ela seja.</em></p>
<p>Para facilitar a consulta, os textos foram organizados na mesma ordem dos oito grupos sorteados na Copa. Além de falar sobre os países participantes, o autor lista motivos para torcer contra ou a favor deles. Para aqueles que querem impressionar os amigos, há os apêndices &#8220;Finja que entende&#8221;, com informações para serem usadas em qualquer conversa de bar sobre futebol.</p>
<p><em>A copa que interessa</em> é um guia bastante divertido. Pode agradar até mesmo aos que não gostam de futebol. Eu sou prova disso. Com estilo bem-humorado, Eduardo Menezes me fez esquecer da minha opinião contrária a esse esporte durante a leitura. Continuo não gostando de futebol, mas o contato com o guia rendeu boas risadas.</p>
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		<title>Assassinos S/A &#8211; Volume 2</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 20:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Coletânea de contos policiais com os mais diversos tipos de assassinos e criminosos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Assassinos S/A - Volume 2" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/assassinos-sa2.jpg" alt="" width="200" height="286" />ASSASSINOS S/A &#8211; VOLUME 2</strong><br />
 Vários autores<br />
 Organização de Frodo Oliveira e Jana Lauxen <br />
 140 páginas<br />
 Multifoco, 2010</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Admito: quando a escritora Jana Lauxen me pediu para ler &#8220;com carinho&#8221; e &#8220;dar minha opinião sincera&#8221; sobre os originais do segundo volume da coletânea de contos policiais brasileiros <em>Assassinos S/A</em>, que ela organizou com o escritor Frodo Oliveira, em parceria com a Editora Multifoco, pensei &#8220;Ih, lá vem <em>mais uma</em> coletânea de ficção policial&#8221;. Mesmo assim não recusei, mais por educação do que, de fato, por curiosidade.</p>
<p>E agora, depois de ter lido (ou melhor, devorado ferozmente) os vinte contos, de diferentes escritores brasileiros, posso afirmar com cem por cento de convicção: não se trata de <em>mais uma</em> coletânea de ficção policial, mas da Coletânea de ficção policial.</p>
<p>Apesar do sugestivo nome, as histórias que compõem esta coleção não são, simplesmente, sobre assassinatos, assassinos, vítimas e investigadores. Além da superficialidade meramente chocante que muitos textos do gênero costumam proporcionar, os assassinos de Jana Lauxen e Frodo Oliveira imergem intensamente na sagacidade do crime, em seus motivos (ou na falta deles) e na mente doentia e arguciosa de seus matadores. A violência não é gratuita; é elaborada, fidedigna, equitativa, quase sincera. Não encontraremos no segundo volume desta coleção detetives usando sobretudos e lupas, e nem artimanhas literárias que buscam apenas assombrar o leitor. Até porque, como sabemos, chocar é fácil, basta apelar. Mas Jana, Frodo e seus autores não apelam. Eles entram, sem bater na porta nem pedir licença, na mente do matador, e sem procurar justificar seus crimes e atrocidades, apenas nos apresentam o assassino por dentro – por dentro, inclusive, de nós mesmos, nobres cidadãos.</p>
<p>Telefonei para Jana e dei minha sentença:</p>
<p>– É fenomenal!</p>
<p>E ela me respondeu:</p>
<p>– Tem mais!</p>
<p>Ela falava das ilustrações.</p>
<p><em>Assassinos S/A Vol. II</em> não é apenas a Coletânea de contos de ficção policial. É também a Coletânea de contos de ficção policial ilustrada. E digo mais: divinamente ilustrada.</p>
<p>Jana escalou uma baita seleção de ilustradores, como Mario Cau, responsável pela sensacional capa da edição, Jota Fox, M. Waechter, Rodrigo Molina, Giovana Medeiros, Emerson Wiscow e Daniel Faccio.</p>
<p>Por isso, caros leitores, se posso oferecer um singelo, porém sincero conselho, digo-lhes: deem uma chance para esta que é a Coletânea de contos policiais brasileiros <em>ilustrada</em>. Permitam que Jana Lauxen, Frodo Oliveira e sua trupe entrem em suas cabeças também, e os levem a conhecer a sociedade secreta de seus assassinos, e de seus crimes (im)perfeitos, acidentais, elaborados, premeditados, ocasionais. Contudo não se assustem com o que encontrarão ali, dentro do livro.</p>
<p>Conforme descreveu a própria Jana na apresentação da edição, estamos todos &#8220;ingenuamente protegidos pelas páginas impressas que separam a ficção da realidade&#8221;. Além do que, como disse Hassan Sabbah, fundador da Ordem dos Assassinos, seita ismaelita que, entre o final do século XI e a metade do XIII, trouxe terror e pânico à região do Oriente Médio: &#8220;nada é verdade&#8221;. Logo, tudo é permitido.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><em>* Manuela A. é Manuela Ferreira Santos na carteira de identidade. Jornalista, radialista, mãe, irmã e sobrinha, escreve porque não sabe cantar.</em></p>
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		<title>Mar quente</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Apr 2010 00:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Em quatorze histórias, diferentes persoangens precisam resolver conflitos internos e externos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Mar quente" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/marquente.jpg" alt="" width="200" height="297" />MAR QUENTE</strong><br />
 Enio Roberto<br />
 96 páginas<br />
 Dublinense, 2009<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8562757055&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Parafraseando o texto da orelha escrito por João Kowacs Castro, diria que a leitura de <em>Mar quente</em> é um mergulho em águas profundas e misteriosas. Cada final de conto reserva uma surpresa ou revelação. Seja ela irônica, dramática, trágica ou desconcertante. A verdade é que ninguém consegue ficar indiferente às quatorze narrativas que compõem a obra.</p>
<p>Reunindo diferentes vozes e situações, o autor cria um interessante painel em que os personagens precisam resolver seus conflitos, sejam eles internos ou externos. Temas como preconceito, relação entre pais e filhos, drogas, tempo, literatura, relacionamentos e desencontros figuram nas páginas de Enio Roberto.</p>
<p>Em &#8220;Geleira&#8221;, uma famosa cantora atrai para si a hostilidade da própria família e de sua cidade natal. Com um final impactante, o conto mostra o lado mais sombrio e cruel do preconceito. Outra narrativa que explora o tema, só que de forma mais branda, é o texto &#8220;Num jardim artificial&#8221;. O protagonista desiste de se relacionar com uma bela mulher, mesmo admirando as qualidades dela, por um preconceito tolo e mesquinho.</p>
<p>Utilizando elementos da doutrina espírita no conto &#8220;O sinal da luz&#8221;, o autor aborda de maneira tocante a relação entre pais e filhos e o problema das drogas. Acompanhado pelo pai, um dependente químico em recuperação visita o túmulo da mãe. Durante a visita, o pai relembra os momentos difíceis que a família enfrentou por causa do vício do filho. Em &#8220;TSC&#8221; (Tribunal Superior da Consciência), o absurdo e o fantástico se unem para tratar o mesmo tema do conto anterior, mas as drogas ficam de fora. Uma vendedora de cachorros-quentes é julgada num ginásio esportivo por não dar a merecida atenção à filha. O juiz e o advogado de acusação são a mesma pessoa, um louco vestido de paletó xadrez.</p>
<p>Nos contos &#8220;Montanha 561&#8243; e &#8220;Nego Tuco&#8221;, os protagonistas vivem situações de extremo perigo. No primeiro conto, devido a uma mina terrestre, um soldado é obrigado a ficar imóvel, correndo o risco de ser alvejado pelos inimigos. No outro texto, um marginal está prestes a ser morto por um perigoso traficante conhecido como Nego Tuco. A causa foi um envolvimento sexual do protagonista com a irmã do criminoso. Ambas as narrativas têm um desfecho totalmente inesperado, com uma boa dose de ironia.</p>
<p>&#8220;Maldita epígrafe&#8221; é uma homenagem aos escritores Edgar Allan Poe e Lygia Fagundes Telles. Inspirado nos contos de horror &#8220;O barril de amontillado&#8221; (Poe) e &#8220;Venha ver o pôr-do-sol&#8221; (Lygia), o autor cria a história de um professor que precisa se livrar de uma visita inesperada e inconveniente.</p>
<p>Duas histórias que ocorrem na praia são sobrepostas em &#8220;Díptico&#8221;. Nelas, em meio a lembranças, os narradores falam sobre a passagem do tempo e a finitude da vida humana diante dela. Recordações de momentos felizes e saudades de familiares queridos.</p>
<p>A fragilidade das relações humanas aparece em &#8220;Crocodilo e Lagartixa&#8221;. Com o passar dos anos e diferentes caminhos na vida tomados, um imenso abismo se coloca entre dois amigos de infância. A cena que mostra o fim da amizade é comovente e triste. Em &#8220;Você lembra quando o prado floria?&#8221;, o sentimento de amizade se transforma numa louca obsessão. Movida por um ciúme doentio, a narradora toma uma atitude drástica contra a amiga. Com certeza, os leitores ficaram chocados com o ato da protagonista.</p>
<p>Os relacionamentos amorosos são abordados em quatro contos. A ironia está presente em &#8220;Ternura&#8221;: uma moça tratada com grosseira pelo namorado age de forma contrária ao esperado quando o rapaz a trata com respeito. No conto &#8220;Suturas de amor&#8221;, um médico desesperado usa suas habilidades para impedir o fim do casamento. Em &#8220;Bodas de chocolate&#8221;, uma mulher doente mostra através de uma torta de chocolate que ela sabe sobre o caso extraconjugal do marido. E por fim, um arquiteto está diante de um dilema, tentar salvar um casamento em crise ou começar uma nova vida com outro amor. Esse é o enredo de &#8220;Em algum lugar do meu passado&#8221;.</p>
<p>Com linguagem coloquial e precisa, Enio Roberto cria um conjunto harmonioso de diferentes vozes e histórias. Cada narrativa é trabalhada com suor e talento. As palavras envolvem e seduzem o leitor. Não há espaço para a indiferença e o tédio.</p>
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		<title>Jogo do anjo, O</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 00:46:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[A sombra do vento]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Ruiz Zafón]]></category>
		<category><![CDATA[O jogo do anjo]]></category>

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		<description><![CDATA[Em troca de saúde e dinheiro, um jovem escritor desiludido aceita escrever um livro que pode levá-lo à loucura e influenciar milhares de pessoas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft borda" title="O jogo do anjo" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/jogo-do-anjo.jpg" alt="" width="200" height="288" />O JOGO DO ANJO</strong><br />
 <em>El juego del ángel</em><br />
 Carlos Ruiz Zafón<br />
 Tradução de Eliana Aguiar<br />
 416 páginas<br />
 Suma de Letras (Objetiva), 2008<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8560280308&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Carlos Ruiz Zafón repete no livro a mesma fórmula de <em>A sombra do vento</em>, seu romance de maior êxito comercial: uma história de suspense com assassinatos, amores perdidos, loucura e um clima gótico. Os ingredientes extras ficam por conta do elemento religioso e da presença do sobrenatural.</p>
<p>A história se passa na cidade de Barcelona nas primeiras décadas do século XX. Os leitores de Zafón poderão revisitar lugares conhecidos como o Cemitério de Livros e a livraria Sempere e Filhos.</p>
<p>Em <em>A sombra do vento</em>, um leitor era o protagonista. Já em <em>O jogo do anjo</em>, um jovem escritor em crise que assume o papel principal. David Martín recebeu duros golpes da vida. A mãe o abandonou quando era criança. O pai, que trabalhava como segurança do jornal <em>La Voz de la Industria</em>, foi assassinado no lugar de Pedro Vidal, filho do dono do jornal. Por isso, Pedro acaba se tornando amigo e protetor de David, mas o trai quando se casa com o grande amor da vida do rapaz, Cristina Sagnier. A jovem se casou com o herdeiro da família Vidal não por amor, mas por gratidão pelo que ele fez por ela e o pai.</p>
<p>A carreira literária de David não é das mais promissoras. Apesar de ter escrito uma série de folhetins de aventuras bastante popular, <em>A cidade dos malditos</em>, ele não está satisfeito. É obrigado por contrato a usar o pseudônimo de Ignatius B. Samson. Seus editores o exploram muito, ele tem que entregar duzentas páginas datilografadas por mês. O excesso de trabalho acaba por deteriorar a sua saúde a tal ponto que lhe restavam apenas alguns meses de vida. Para piorar tudo, o romance &#8220;de estreia&#8221; do protagonista, <em>Os passos do céu</em>, recebeu duras críticas dos jornais. Enquanto que o livro de Pedro Vidal, <em>A casa das cinzas</em>, reescrito secretamente por David sem o conhecimento do autor, ganhou diversos elogios da imprensa.</p>
<p>É nesse momento de angústia e desesperança que aparece o misterioso editor Andreas Corelli, de fala mansa e sedutora, com uma proposta intrigante. Em troca de uma grande quantia em dinheiro, David teria um ano para escrever um livro religioso capaz de abalar o mundo. De maneira inexplicável, Corelli consegue curar a doença do jovem escritor.</p>
<p>Questionando-se sobre quais seriam os motivos do misterioso editor para encomendar uma obra com a capacidade de influenciar milhares de pessoas, o protagonista começa a recolher informações sobre Corelli. No meio de suas investigações, David descobre que antes dele um outro escritor chamado Diego Marlasca tentou realizar o mesmo trabalho e teve uma morte trágica. Ao recolher informações sobre Marlasca, o jovem escritor mergulha numa rede de intrigas, mortes e traições. Descobrir a verdade é perigoso, pode custar não só a própria vida de David, mas também a de pessoas próximas a ele. Um misterioso assassino está liquidando aqueles que têm pistas sobre Marlasca. Além disso, o criminoso faz com que as suspeitas da polícia recaiam sobre David.</p>
<p>A trama recheada de reviravoltas, traições e revelações prende a atenção do leitor. A cada página uma nova surpresa o aguarda, seja ela agradável ou não. As opiniões de Andreas Corelli e as discussões dele com David sobre religião são polêmicas. Segundo Corelli, a fé religiosa é mera questão de biologia.</p>
<p><em>Sobreviver faz parte de nossa natureza. A fé é uma resposta institiva a certos aspectos da existência que não podemos explicar de outra forma, seja isso o vazio moral que percebemos no universo, a certeza da morte, o mistério da origem das coisas ou o sentido de nossa própria vida, ou ainda completa ausência dele. São aspectos elementares e de extraordinária simplicidade, mas nossas próprias limitações nos impedem de responder de modo compreensível a tais perguntas e por isso criamos, como defesa, uma resposta emocional. É pura e simples biologia.</em></p>
<p>Um dos locais da Barcelona de Zafón que irá ficar na memória dos leitores é o Cemitério de Livros. Ninguém sabe quem é o criador do lugar nem quando foi criado. Lá estão séculos de livros perdidos e esquecidos, destinados a serem destruídos e silenciados. Dentro do Cemitério há vários corredores e galerias repletas de volumes que formam um imenso labirinto. Há casos de pessoas que se perderam nele e foram encontradas dias depois. Nesses corredores, David irá encontrar o misterioso volume <em>Lux Aeterna</em>, um espécie de livro dos mortos. As respostas para os mistérios em torno de Andreas Corelli e Diego Marlasca estão nas páginas da obra.</p>
<p>Isabella é uma das personagens que irão cativar os leitores. A jovem é assistente de David e aspirante a escritora. De tanto insistir, a garota acaba sendo aceita pelo jovem escritor e se tornando amiga dele. Os diálogos, cheio de ironia e sarcasmo, entre a jovem e o protagonista irão divertir os leitores. Apesar de geniosa, Isabella tem um grande coração, além de ser leal e se preocupar com o bem-estar de seu mentor. Nas últimas páginas do livro será revelado que Isabella tem uma forte ligação com Daniel Sempere, o leitor protagonista de <em>A sombra de vento</em>. Para não estragar a surpresa, não será revelada qual é essa ligação.</p>
<p>Curas inexplicáveis, bonecos que ganham vida, mortos que voltam a viver são alguns exemplos da presença do sobrenatural no livro. Esses fatos estão de alguma forma ligados à figura do misterioso editor Andreas Corelli. Seria ele alguma espécie de anjo ou demônio?</p>
<p>O enredo que mistura suspense com religião e eventos sobrenaturais torna a leitura de <em>O jogo do anjo</em> bastante interessante. Para os leitores de Carlos Ruiz Zafón, a obra é um item obrigatório. Talvez o final, que permite várias interpretações, não agrade a todos.</p>
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		<title>Paralelepípedos da Vila Mimosa, Os</title>
		<link>http://www.literatsi.com/resenha/livro/paralelepipedos-da-vila-mimosa/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 23:12:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Os contos do livro nasceram das observações do autor de pessoas que se entregaram à degradação nos recantos decadentes do Rio de Janeiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Os paralelepípedos da Vila Mimosa" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/paralelepipidos-mimosa.jpg" alt="" width="200" height="296" />OS PARALELEPÍPEDOS DA VILA MIMOSA</strong><br />
 Alexandre Coslei<br />
 114 páginas<br />
 Multifoco, 2009<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=857961001x&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><em>Deus converte, mas o Diabo seduz!&#8230;</em></p>
<p>Assim termina – com o &#8220;D&#8221; maiúsculo, exclamação e reticências – um dos mais de vinte contos de <em>Os parelelepípedos da Vila Mimosa</em>. Outro, exatamente o que empresta o título à obra, preconiza já na segunda linha: &#8220;A decadência não é uma opção voluntária, é um desencontro íntimo, profundo e nebuloso. Decair é enredar-se num casulo.&#8221;</p>
<p>Das tantas e tantas frases espetaculares lidas entre as páginas do livro, destaquei essas duas por uma só razão: é disso que tratam os personagens de Coslei. São mendigos, funcionários públicos, contadores, prostitutas, enfim, pessoas como todos nós, em qualquer cidade – apesar de o Rio de Janeiro ser cuidadosamente exaltado e descrito –, que mostram nossa face perturbadora, nosso lado mais soturno.</p>
<p>Vagando pela zona do meretrício e pelas pessoas que compõem esse mundo a parte, alguns textos causam apreensão, um certo dissabor. Talvez por mostrarem de forma tão crua do que somos capazes. Ou, tão grave quanto, não somos!</p>
<p>Há um elemento que se desenvolve durante toda a obra, não ao acaso. O espelho. Certamente é a figura mais constante. Nele, os personagens não se reconhecem, veem-se primitivos, ficam fascinados e orgulhosos ou agem como se investigassem algo. Sabendo que a única função, digamos, &#8220;básica&#8221; de um espelho é refletir nossa própria imagem, não é difícil concluir que é exatamente disso que os textos tratam: de nós mesmos, visto por um prisma intimista e peculiar, gerando aquilo que a literatura deveria sempre proporcionar: catarse.</p>
<p>Ainda há outros diversos aspectos a serem considerados. A surpresa, não aquela técnica condenada ao fracasso da coisa gratuita e desnecessária, como ficarmos escondidos atrás de uma porta para fazermos &#8220;buuu&#8221; a quem passa, mas a que dá vida, consistência e razão à história, que acontece de maneira espetacular e vai sendo desvelada aos poucos, com talento e precisão. O melhor exemplo pode ser lido no conto-título. Outro fator a ser considerado são as narrativas, feitas em primeira e terceira pessoa de maneira tranquila e consistente. Como narrador temos inclusive um livro, isto mesmo, um livro, contanto uma história, que não a dele.</p>
<p>Já que não vou conseguir ser breve como gostaria, aproveito para chamar a atenção para mais um detalhe extremamente importante que é a roupa, o traje, a vestimenta de tantas e tantas vidas retratadas na obra, que nada mais é do que a linguagem. Bela, elegante, correta e generosa. Traje de gala.</p>
<p>Poderia falar de tantas outras peculiaridades, como a riqueza psicológica das personagens, ou ainda citar os textos de que mais gostei – como &#8220;O homem que não existiu&#8221;, por exemplo – ou  títulos, como o citado há pouco, mas, ao invés disso tudo, somente mais três detalhes. Primeiro, o livro é imperdível. Segundo, uma narrativa longa deve estar chegando, sem dúvida, pois Coslei tem ainda muito o que contar. E por último, em tom de confissão, é que Vila Mimosa deve ser um local interessantíssimo. Gostaria de conhecê-lo ainda mais. Talvez em um futuro romance de Coslei.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><em>* Beto Canales é um eterno estudante de literatura, produz contos e narrativas longas, apesar de atrever-se &#8220;cometer&#8221; crônicas no <a href="http://www.cinemaebobagens.blogspot.com/">www.cinemaebobagens.blogspot.com</a>. A universalidade de seus personagens e os lugares onde ocorrem suas histórias são marcas registradas, permitindo que aconteçam com qualquer um em qualquer parte. Cinéfilo apaixonado e assumido aprendiz de crítico de cinema, é também editor da</em> Esquina do Escritor <em>e do</em> 3AM Brasil<em>. É autor de</em> <a href="http://www.literatsi.com/resenha/livro/vida-que-nao-vivi/">A Vida Que Não Vivi</a><em>, pela Multifoco, lançado na Bienal do Livro do Rio 2009.</em></p>
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		<title>Treze casos de viola e violeiros</title>
		<link>http://www.literatsi.com/resenha/livro/treze-casos-de-viola-e-violeiros/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 21:48:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Treze histórias que trazem o encanto e a magia de um universo mítico e popular]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Treze casos de viola e violeiros" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/treze-casos-viola.jpg" alt="" width="200" height="307" />TREZE CASOS DE VIOLA E VIOLEIROS</strong><br />
 <em>Do baú do mestre Quilim da Braúna</em><br />
 Fábio Sombra<br />
 112 páginas<br />
 Escrita Fina, 2010<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8563248006&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Além de ser membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, o escritor Fábio Sombra é violeiro e pesquisador do folclore brasileiro. Segundo ele, as treze histórias que compõem o livro foram transmitidas pelo famoso violeiro e excelente queijeiro Mestre Quilim. Verdade ou não, os contos trazem ao leitor a magia e o encanto das histórias contadas nas rodas de viola.</p>
<p>Com linguagem coloquial, o autor mostra o poder inventivo e a capacidade de impressionar da tradição oral. Os tocadores e construtores de viola se defrontam com assombrações, objetos amaldiçoados, seres encantados e o próprio Diabo.</p>
<p>As assombrações estão presentes na maioria dos contos do livro, cinco ao todo. Em alguns casos, elas recebem castigos por terem cometido um crime hediondo, como em &#8220;Um conselho do além&#8221;. Em outros momentos, voltam como guardiãs ou protetoras daqueles que a ajudaram, como mostra &#8220;O velhinho agradecido&#8221;. Enganar alguém no leito de morte não é uma boa ideia, como prova &#8220;O caixão do violeiro&#8221;. O morto pode voltar para se vingar do trapaceiro. Há também os espíritos como o do conto &#8220;O bom pagador&#8221;, que não descansam em paz enquanto não encerrarem as dívidas feitas em vida.</p>
<p>Outra figura bastante presente nas narrativas é o Capeta, ou Capiroto. O senhor dos infernos pune e atormeta os maus em &#8220;Um conselho do além&#8221; e &#8220;O baile das almas&#8221;. Ele também gosta de conseguir hóspedes extras através de pactos com violeiros que querem dominar a viola sem nenhum esforço. Prova disso são os contos &#8220;As setes aulas de viola&#8221; e &#8220;As mangas compridas do violeiro&#8221;. Essas histórias foram criadas a partir de clássicos das rodas de viola.</p>
<p>&#8220;A festa dos sacis&#8221; e &#8220;O violeiro e a filha do Caboclo-d&#8217;água&#8221; contam casos em que não é nada saudável descumprir a palavra dada aos seres encantados. Os curiosos e fanfarrões são punidos sem dó nem piedade.</p>
<p>As violas amaldiçoadas, que podem trazer azar ou matar os violeiros, aparecem em &#8220;A viola do compadre pobre&#8221; e &#8220;A viola Alcidina&#8221;. Já &#8220;Como a cascavel ganhou o seu chocalho&#8221; e &#8220;Os pernilongos da Amélia&#8221; são narrativas que procuram explicar fenômenos da natureza e crendices populares. Segundo a última história, as aranhas são animais abençoados por Nossa Senhora. Conforme a crença popular, um aracnídeo teria ajudado a esconder o menino Jesus e seus pais dos romanos.</p>
<p>Além de contar com as belas ilustrações feitas pelo autor, que lembram as xilogravuras usadas nos livros de cordel, a obra recebeu um cuidado especial da editora. A capa é envernizada e o projeto gráfico casa perfeitamente com os desenhos de Sombra. O manuseio do livro é bem prazeiroso.</p>
<p>Com competência, pesquisa e talento, Fábio Sombra transporta os leitores para o universo fantástico e misterioso das histórias das rodas de viola. Os &#8220;causos&#8221; do Mestre Quilim podem assustar em alguns momentos, mas com certeza, irão deliciar a todos. Os mais novos com certeza irão pedir bis.</p>
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		<title>Filho eterno, O</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 20:26:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Um relato original e corajoso sobre a experiência de ser pai de uma criança com síndrome de Down]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="O filho eterno" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/filho-eterno.jpg" alt="" width="200" height="306" />O FILHO ETERNO</strong><br />
 Cristovão Tezza<br />
 224 páginas<br />
 Record, 2008<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8501077887&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>No romance o autor fala sobre a experiência de ter um filho com síndrome de Down. Apesar de autobiográfica, a história é narrada na terceira pessoa. O narrador e o pai da criança doente não são a mesma pessoa. O primeiro não participa da narrativa, apenas mostra o que os personagens pensam e sentem. O segundo é um dos personagens principais da obra.</p>
<p>O livro não é um amontoado de discursos misericordiosos e politicamente corretos sobre a síndrome de Down. Tezza optou por uma abordagem original e corajosa, cruel em alguns momentos. No início, o pai sentia-se injustiçado pela natureza e desejava que o filho morresse de alguma complicação da doença, como problemas e coração.</p>
<p><em>Numa das crises, ela</em> [a mãe da criança] <em>lhe diz, no desespero do choro alto: Eu acabei com a tua vida. E ele não respodeu, como se concordasse – a mão que estendeu aos cabelos dela consolava o sofrimento, não a verdade dos fatos.</em></p>
<p>Filipe, o &#8220;filho eterno&#8221;, nasceu no começo da década de 1980. Naquela época, a síndrome de Down não era tão estudada e tinha uma aura de mistério.</p>
<p><em>Não há mongolóides na história, relato nenhum – são seres ausentes. Leia os diálogos de Platão, as narrativas medievais,</em> Dom Quixote<em>, avance para a</em> Comédia humana<em> de Balzac, chegue a Dostoiévski, nem este comenta, sempre atento aos humilhados e ofendidos; os mongolóides não existem.</em> (&#8230;) <em>Eles só surgiram no século XX, tardiamente. Em todo o </em>Ulisses<em>, James Joyce não fez Leopold Bloom esbarrar em nenhuma criança Down, ao longo daquelas 24 horas absolutas. Thomas Mann os ignora rotundamente. O cinema, em seus 80 anos, </em>(&#8230;)<em> jamais os colocou em cena. Nem vai colocá-los. Os mongolóides são seres hospitares, vivem na ante-sala dos médicos.</em></p>
<p>As visitas a clínicas e consultórios médicos, a leitura de livros sobre o mongolismo e os programas de exercícios para o filho fazem o pai revisitar o passado (a vida em comunidade na adolescência, a vida de imigrante ilegal na Alemanha, a breve carreira de relojoeiro, o fato de ser um escritor com livros de gaveta e a desejada estabilidade financeira com o cargo de professor universitário). Isso faz com que ele reflita sobre o que passou e reorganize a própria vida.</p>
<p>Com pequenas conquistas, como os primeiros passos e a ida à escola, Filipe vai conquistando o seu lugar de filho. O pai já não o vê mais como uma espécie de maldição, mas como alguém que precisa de carinho e cuidado. Ao falar sobre o crescimento e desenvolvimento do primogênito, o autor apresenta algumas informações sobre a síndrome de Down e mostra que, apesar de serem lentos e demorados, os avanços de Filipe são gratificantes. A paixão pelo futebol é um dos elementos cotidianos que ajuda a unir pai e filho.</p>
<p>Sem recorrer a fórmulas sentimentaloides e apelativas nem a discursos prontos,  e com uma prosa intensa, Cristovão Tezza aborda de forma original e corajosa o velho tema da relação entre pais e filhos. Sem sobra de dúvidas, é o melhor romance publicado em 2008. Os diversos prêmios ganhos pela obra, entre os quais estão o Jabuti e o Portugal Telecom, comprovam isso.</p>
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		<title>Túneis de sangue</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 22:02:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Darren precisa deter uma criatura sedenta por sangue que se esconde nos túneis subterrâneos da cidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Túneis de sangue" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/tuneis-de-sangue.jpg" alt="" width="200" height="273" />TÚNEIS DE SANGUE</strong><br />
<em>Cirque du freak: tunnels of blood</em><br />
Série <em>Circo dos horrores: a saga de Darren Shan</em>, vol. 3<br />
Darren Shan<br />
Tradução de Aulyde Soares Rodrigues<br />
176 páginas<br />
Rocco, 2001<br />
<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8532513301&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O terceiro volume da série de Darren Shan começa com uma cena bem tensa. O Sr. Crepsley está prestes a atacar um homem. Darren se prepara para impedi-lo. A história recua um mês&#8230;</p>
<p>Já se passou cerca de um ano após o trágico acidente de Sam Crespo. O protagonista precisou beber o sangue do amigo agonizante para salvar a memória dele. Na série de Shan, os vampiros podem guardar as lembranças de uma pessoa se beberem todo o sangue dela. Darren já aceita a sua condição de meio-vampiro e faz o possível para aprender a ser um assistente de vampiro. Ele está bastante adaptado à vida no Circo dos Horrores.</p>
<p>Um vampiro chamado Torvelinho traz notícias desagradáveis para Larten Crepsley. Ele, junto com Darren e Ofídio (menino-cobra), deixa o Circo e parte para a cidade. Lá Crepsley passa a agir de uma forma estranha, não com ninguém e some por horas, só aparecendo na hora de dormir. A notícia de que foram encontrados corpos sem sangue em um prédio abandonado faz com que Darren desconfie de seu tutor. O protagonista e Ofídio passam a seguir Larten. Caso seja confirmada a suspeita do meio-vampiro, ele e o menino-cobra irão matar Crepsley.</p>
<p>A descoberta da identidade do autor dos assassinatos irá permitir ao leitor conhecer a sociedade vampírica criada pelo escritor Darren Shan. Os vampiros têm leis rígidas que proíbem a morte de pessoas inocentes para alimentação ou que eles se tornem malvados. Os infratores são punidos ou executados pelos Generais Vampiros, uma espécie de polícia vampírica. Há séculos atrás foi travada uma violenta guerra entre vampiros. Alguns deles não aceitaram a criação de uma lei que proibia a morte de seres humanos para alimentação.</p>
<p>O drama existencial do volume anterior cede lugar ao suspense. A história está cheia de surpresas, reviravoltas e revelações. Darren irá precisar de muita astúcia para derrotar a terrível criatura sedenta de sangue que se esconde nos túneis subterrâneos da cidade.</p>
<p>Neste volume o meio-vampiro irá conhecer o amor. Darren se apaixona por uma garota chamada Débora Cicuta. Ela é capaz de fazer com que o garoto se sinta um humano de verdade. Darren até sente vontade de comemorar o Natal. É óbvio que o antagonista da história irá usar Débora para atingir o meio-vampiro. Essa parte da história tem muitas surpresas para o leitor.</p>
<p>Com uma pitada de romance, cenas de perseguição, reviravoltas e informações sobre a sociedade vampírica, o escritor Darren Shan cria uma história envolvente e empolgante. Os leitores ficarão ansiosos pelos próximos volumes.</p>
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		<title>Assistente de vampiro, O</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 18:23:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Darren está tendo dificuldades para aceitar a condição de meio-vampiro, ele se recusa a beber sangue humano, mas uma tragédia irá fazê-lo mudar a sua visão sobre o mundo dos vampiros]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="O assistente de vampiro" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/assistente-de-vampiro.jpg" alt="" width="200" height="276" />O ASSISTENTE DE VAMPIRO</strong><br />
 <em>Cirque du freak: the vampire&#8217;s assistant</em><br />
 Série <em>Circo dos horrores: a saga de Darren Shan</em>, vol. 2<br />
 Darren Shan<br />
 Tradução de Aulyde Soares Rodrigues<br />
 176 páginas<br />
 Rocco, 2001<br />
 <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8532513123&amp;sid=18969212311823478243062011">Comprar</a></strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p>Depois de uma breve introdução de Darren sobre o que aconteceu no volume anterior, o leitor vê uma típica cena de filme de terror. Uma pessoa sozinha caminha por um local deserto. Ela começa a ouvir estranhos barulhos. Tenta encontrar uma explicação racional para aquilo, o medo vai se instalando na mente. Passo acelerado, alguns sustos e perda da consciência. A criatura maligna faz mais uma vítima.</p>
<p>Darren está tendo dificuldades em aceitar a sua nova condição de meio-vampiro. Mesmo sabendo que o seu desejo é impossível, o garoto quer voltar a ser um menino normal. Ele se recusa a tomar o sangue de seres humanos, a única coisa que pode mantê-lo vivo. O sangue dos animais alivia um pouco a sede, mas não impede que Darren fique fraco.</p>
<p>O protagonista se sente solitário, pois teve que abandonar a família e os amigos. Ele não pode contar às pessoas sobre o fato de ser meio-vampiro, porque tem medo de que elas o odeiem e o tratem como monstro. Além disso, devido à sua grande força e à sede de sangue, Darren teme machucar acidentalmente as pessoas normais.</p>
<p>Preocupado com seu assistente, o vampiro Sr. Crepsley resolve voltar ao Circo dos Horrores. Lá Darren não precisa esconder de ninguém a sua nova condição. O garoto faz amizade com Ofídio, o menino-cobra, e Sam Crespo, um garoto esperto e curioso que pretende fazer parte da trupe daquele circo incomum.</p>
<p>É também no Circo dos Horrores que o protagonista conhece o líder dos misteriosos e mascarados anões que trabalham lá, o Sr. Desmond Tino, que gosta de ser chamado Des Tino. O dono do circo e Crepsley têm medo dele. Tino afirma que já conhecia Darren de algum lugar, mas o garoto não se lembra de tal encontro.</p>
<p><em>De repente fiquei sabendo por que aquele homem era tão temido. </em>Ele era malévolo. <em>Não apenas mau e desagradável, mas o próprio mal demoníaco. Era um homem que eu podia imaginar matando milhares de pessoas, só para ouvir os gritos.</em></p>
<p>Darren, que também é narrador da história, faz questão de frisar ao leitor de que aqueles dias felizes e tranquilos no Circo dos Horrores estavam com os dias contados. Uma tragédia envolvendo o terrível Homem-Lobo e um estranho defensor da natureza estava prestes a acontecer. As lembranças desse incidente serão dolorosas para Darren, mas o obrigarão a amadurecer e a rever a sua relação com o Sr. Crepsley. O protagonista o detesta, pois ele foi o responsável por transformá-lo em meio-vampiro. Mas não pode matá-lo ou abandoná-lo, porque precisa aprender com o vampiro como sobreviver no mundo dos sanguessugas.</p>
<p>O universo de Darren Shan &#8220;dessacraliza&#8221; a imagem dos vampiros. Eles estão longe de serem idealizações adolescentes de amantes ou os imortais nobres sedutores e cruéis. Não imortais, apenas vivem algumas de anos a mais do que os homens. Não têm presas, mas os dentes e unhas são fortes e resistentes. Não podem se transformar em animais. Os vampiros têm reflexo, mas não podem ser filmados ou fotografados. Alho, crucifixo e água benta são inofensivos. A luz do sol pode matá-los, assim como estacas, facadas, tiros e choque elétrico. Eles são resistentes, mas não invulneráveis.</p>
<p><em>O assistente de vampiro</em> não é apenas uma história sobre vampiros, mas também sobre crescimento e amizade. Darren aprende que o processo de crescimento envolve perdas e sacrifícios. Aprende também que sempre carregamos conosco uma parte daqueles que nos são caros, pois os guardamos através de nossas lembranças.</p>
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		<title>Ladrão de raios, O</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 01:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Percy Jackson é um semideus que precisa recuperar o raio-mestre de Zeus ou o mundo será destruído por uma guerra entre os deuses do Olimpo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="O ladrão de raios" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/o-ladrao-de-raios.jpg" alt="" width="200" height="301" />O LADRÃO DE RAIOS</strong><br />
 <em>The lightning thief</em><br />
 Série <em>Percy Jackson e os olimpianos</em>, vol. 1<br />
 Rick Riordan<br />
 Tradução de Ricardo Gouveia<br />
 400 páginas<br />
 Intrínseca, 2008<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8598078395&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Após a leitura do livro, é praticamente impossível não fazer comparações com a história do bruxo Harry Potter. Assim como este, Percy Jackson precisa enfrentar um perigoso e poderoso vilão que todos acreditam estar morto mas têm medo de pronunciar o nome. Apesar de serem excluídos, Harry e Percy pertencem a grupos de pessoas especiais que se mantêm ocultos dos seres humanos normais. Potter é um bruxo, Jackson é um semideus ou meio-sangue, filho de um deus e um mortal. Ambos recebem treinamento especial: Harry estuda na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e Percy, no Acampamento Meio-Sangue. Os dois protagonistas têm como melhores amigos um personagem atrapalhado e uma garota bem inteligente. Rony Weasley e Hermione Granger são amigos de Harry; enquanto Percy tem o sátiro Grover Underwood e Annabeth Chase, filha da deusa Atena.</p>
<p>Apesar das semelhanças com o best-seller da escritora J. K. Rowling, a série de Rick Riordan tem personalidade própria. O autor fez uma atualização dos mitos gregos de uma forma bem-humorada. O Monte Olimpo, a morada dos deuses, fica no 600º andar do Empire State. Caronte, o barqueiro do Mundo Inferior, quer aumento de salário para comprar ternos. Medusa transforma as suas vítimas em pedra e as vende como estátuas para jardins. O deus Dionísio é diretor de um acampamento de verão. Os semideuses, heróis da mitologia grega, recebem treinamento num acampamento de verão e têm dislexia (&#8220;as letras parecem flutuar&#8221;) e transtorno do déficit de atenção (impulsividade e dificuldade para se concentrar e manter a atenção). A dislexia permite que eles leiam grego antigo, e o transtorno do déficit de atenção permite que os semideuses tenham reflexos no campo de batalha e consigam enxergar monstros.</p>
<p>Perseu (Percy) Jackson é um garoto de 12 anos que vive com a mãe e o padrasto em Nova York. O garoto já foi expulso seis vezes da escola. Além da dislexia e do transtorno do déficit de atenção, ele precisa lidar com estranhas criaturas que o perseguem e o obrigam a mudar de escola. Após escapar do ataque do Minotauro, o protagonista descobre a verdade. Ele é um meio-sangue, filho de um deus e um mortal. Infelizmente, a mãe do garoto não sobrevive ao ataque do monstro. O meio-sangue encontra abrigo no Acampamento Meio-Sangue, um campo de treinamento para semideuses.</p>
<p>Quando o pai de Percy o reconhece como filho, o garoto é obrigado a aceitar uma missão perigosa: recuperar em dez dias o raio-mestre de Zeus, o rei dos deuses, para evitar uma guerra entre os deuses do Olimpo e salvar o mundo. Zeus acusa o pai de Percy de ser o mandante do crime, pois os dois deuses têm uma rixa antiga. O centauro Quíron, mestre do protagonista e de grandes heróis como Hércules e Jasão, acredita que Hades, o senhor do reino dos mortos, seja o verdadeiro responsável pelo roubo. Além de recuperar o raio, Percy pretende tirar a mãe do mundo dos mortos.</p>
<p>Além da espada mágica chamada Contracorrente (Anaklusmos), o protagonista conta com a ajuda do sátiro atrapalhado Grover e de Annabeth, filha da deusa Atena, para realizar a missão. Os pesadelos de Percy e as previsões do Oráculo de Delfos contêm pistas sobre o mistério que se esconde por trás do roubo do raio-mestre. Além dos monstros, a mágoa que o garoto guarda do pai e a previsão de que Percy seria traído por um amigo ameaçam o sucesso da missão.</p>
<p>Os monstros da história não podem ser destruídos totalmente, pois representam forças primitivas da natureza. Com a destruição do corpo físico, eles são banidos do mundo dos mortais por algum tempo. Com sorte, por dezenas de anos. Eles são inimigos dos meio-sangues e vivem disfarçados no mundo dos homens. A terrível e venenosa Quimera pode ser um pequeno cachorro chihuahua. O torturador Procrusto é um vendedor de colchões que acredita que os clientes devem se ajustar ao produto, mesmo que para isso sejam necessárias algumas mutilações.</p>
<p><em>O ladrão de raios</em> não é somente uma modernização bem-humorada dos mitos gregos, é também uma história sobre o relacionamento entre pais e filhos e o valor da amizade. Sally, mãe de Percy, faz grandes sacrifícos para manter o filho escondido dos monstros. Jackson quer que o pai que o abandonou sinta orgulho dele e também resgatar a mãe do mundo dos mortos. A lealdade e o companheirismo de Annabeth e Grover vão colocar em dúvida a previsão de que Percy seria traído por um amigo.</p>
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		<title>Azul é para pesadelos</title>
		<link>http://www.literatsi.com/resenha/livro/azul-e-para-pesadelos-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 20:17:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Para salvar a amiga de um perseguidor psicopata, Stacey precisa usar um antigo feitiço para descobrir a verdade que se esconde em seus pesadelos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Azul é para pesadelos" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/azul-pesadelos.jpg" alt="" width="200" height="303" />AZUL É PARA PESADELOS</strong><br />
 <em>Blue is for nightmares</em><br />
 Série <em>Azul é para pesadelos</em>, vol. 1<br />
 Laurie Faria Stolarz<br />
 Tradução de Paulo Ferro Jr.<br />
 288 páginas<br />
 Bonobo Teen (Novo Século), 2009</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O livro é uma mistura de mistério com sobrenatural. A protagonista e narradora da história é Stacey Ann Brown, uma garota que está tendo um primeiro ano difícil no colégio interno. Ela não é um exemplo de popularidade, inteligência ou beleza. Para piorar, Stacey é apaixonada por Chad, o namorado de sua melhor amiga Drea. Entretanto, a protagonista possui algumas habilidades especiais: ela pode ter sonhos premonitórios e conhece alguns feitiços.</p>
<p><em>Eles são sempre iguais. É sempre noite, e estou numa floresta, procurando Drea. O ruído de seu corpo escondido em algum lugar atrás de mim. Galhos se quebram, folhas estalam. O vento sopra em meus ouvidos, umedecendo meus olhos. E a dor em meu estômago: aguda, crua, implacável. Real.</em></p>
<p>Stacey começa a ter pesadelos com Drea, que se tornou alvo de um perseguidor psicopata. A protagonista não pode ignorar os sonhos ruins, pois eles são muito reais. Há três anos, Stacey ignorou os pesadelos. Como conseqüência, uma alegre menininha foi morta. Sentindo-se culpada pela morte de Maura, a garota quer a todo custo salvar a amiga. Para tentar descobrir a identidade do perseguidor de Drea, Stacey usa um antigo feitiço ensinado pela avó, que utiliza plantas e velas azuis. A pouca autoconfiança da jovem feiticeira é o principal obstáculo para o êxito do feitiço.</p>
<p>O perseguidor sabe que Stacey quer impedi-lo de fazer mal a Drea. Por meio de telefonemas e bilhetes com ameaças e chantagens, ele tenta afastar a garota de seu alvo. O vilão conhece um segredo que pode acabar com a reputação de Stacey e arruinar as amizades dela. Além disso, Chad não é indiferente aos sentimentos da jovem feiticeira, o que pode abalar a confiança que Drea tem nela e tornar a amiga uma presa fácil para o psicopata.</p>
<p>A tensão da história aumenta com os lírios deixados na porta do quarto de Stacey e Drea. O lírio é a flor que representa a morte. O perseguidor deixa na porta das garotas a quantidade de lírios que indica quantos dias faltam para o encontro dele com Drea. O tempo está contra Stacey. Ou ela descobre a identidade do criminoso, ou sua amiga irá sofrer as conseqüências.</p>
<p>Todos são suspeitos. Drea é uma garota bastante popular entre os rapazes e namora o rapaz mais cobiçado do colégio. Há garotas que poderiam matá-la para ficar com Chad. Entre os garotos poder haver algum admirador que tenha perdido a razão. Além disso, Chad quer terminar o namoro com Drea, mas ela não aceita e fica insistindo numa relação falida. A situação estressa a ambos.</p>
<p>Os pesadelos de Stacey contêm a chave para a solução do mistério da história e a salvação de Drea, mas também rendem alguns sustos durante a leitura. Praticamente não há nenhuma indicação de que o leitor entrou no mundo onírico, o sonho vai se misturando aos poucos com a realidade. Depois que a pessoa que lê toma o susto, a protagonista acorda e a história prossegue normalmente até o próximo pesadelo.</p>
<p>As jovens leitoras irão se identificar com Stacey. Assim como elas, a protagonista se encontra numa fase de dúvidas e insegurança. Também precisa aprender a lidar melhor com seus sentimentos e a ser mais autoconfiante. Os outros leitores também irão tirar proveito da leitura, a autora sabe prender a atenção daqueles que leem a sua história, além de lhes fornecer momentos de sustos e tensão. É pouco provável que alguém abandone o livro antes de descobrir a identidade do perseguidor de Drea.</p>
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		<title>Desacordo ortográfico</title>
		<link>http://www.literatsi.com/resenha/livro/desacordo-ortografico-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 23:08:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Antologia de contos e poemas que mostra as riquezas e peculiaridades da língua portuguesa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Desacordo ortográfico" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/desacordo.jpg" alt="" width="200" height="340" />DESACORDO ORTOGRÁFICO</strong><br />
 Reginaldo Pujol Filho (org.)<br />
 208 páginas<br />
 Não Editora, 2009<br />
 <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8561249129&amp;sid=18969212311823478243062011"><strong>Comprar</strong></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>A antologia organizada por Reginaldo Pujol Filho não é um manifesto contra o novo Acordo Ortográfico, mas uma exaltação à diversidade e riqueza da língua portuguesa. &#8220;Com acordo ou sem acordo, o negócio é fazer o que a gente quiser, respeitando uma só regra: a da boa literatura&#8221;, afirma o organizador do livro.</p>
<p>Entre textos inéditos e já publicados, vinte autores convidam o leitor para uma viagem pelos países que falam português (São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola, Portugal e Brasil). No cardápio estão incluídos contos, poemas e textos híbridos. São vários os temas abordados, entre os quais estão os encontros e desencontros amorosos, o cotidiano caótico do homem moderno, o desejo pelo novo e diferente, o patriotismo exagerado e as lembranças da infância.</p>
<p>Luis Fernando Verissimo abre a antologia com o engraçadíssimo &#8220;Mais palavreado&#8221;, uma brincadeira com as palavras e seus significados. Pantufo, rei da Cizânia, orgulha-se de sua coleção composta por todas aves do mundo que piam. Dois espertos viajantes, Metatarso e Palpos, afirmam conhecer aves raras que não estão na coleção do monarca. Em troca de uma boa recompensa, os viajantes prometem levar o rei até o local onde vivem as aves raras. As estranhas  rimas com as palavras &#8220;Excelência&#8221; e &#8220;piar&#8221; e a substituição de palavras por outras com significado totalmente diferente criam o humor da narrativa. Se alguém perguntar se o &#8220;marrecão larápio&#8221; pia, responda que ele &#8220;surrupia&#8221;.</p>
<p>O humor também está presente no conto de Cardoso, &#8220;O mistério dos cachecóis matutinos&#8221;. Entre hipóteses absurdas e engraçadas, algumas envolvendo fadas e homossexuais cabeludos, o narrador tenta encontrar uma explicação para os estranhos fios de cabelo que aparecem enrolados na base de seu membro na hora da &#8220;mijada&#8221; matinal.</p>
<p>Dividido em quatro partes, a narrativa &#8220;Cuento de la mina perdida em una canción de Roy Orbison&#8221;, do cearense Xico Sá, mistura portunhol (o &#8220;jeitinho&#8221; brasileiro de falar espanhol) com gírias. Em ritmo de bolero, o narrador conta suas dores de amor e o desejo de estar ao lado da mulher amada. O amor também está presente em &#8220;Amor aos pedaços&#8221;, de Reginaldo Pujol Filho. Um rapaz tenta descobrir qual parte do corpo da amante lhe atrai mais. Ele até monta uma tabela para encontrar a resposta.</p>
<p>Também falando de amor, a escritora Patrícia Portela flerta com outras linguagens em seu poema (&#8220;Ópera minerália cinematográfica&#8221;). Além da foto de Albert Einstein e uma pequena animação feita com o folhear das páginas, também estão presentes conceitos de ciências como física, química e biologia e menções ao rapto que aconteceu no Teatro de Moscovo, em que rebeldes tchetchenos fizeram de reféns cerca de 700 pessoas.</p>
<p>O fantástico também marca presença na antologia. No texto de Altair Martins, &#8220;Enquanto água&#8221;, o protagonista passa por um estranho renascimento numa banheira cercada por gatos. Em &#8220;Mulôji a Kolombo mata&#8221;, do angolano Luandino Vieira, enquanto a mãe do protagonista queima numa fogueira por ser acusada de feitiçaria, ele enfrenta um ser mágico chamado Mulôji a Kolombo. Na narrativa de Rita Taborda Duarte, &#8220;O rapaz que não se tinha quieto&#8221;, um menino fala sobre seu imenso desejo de viajar pelo mundo e seus planos para sair dos &#8220;dois mil metros quadrados&#8221; onde mora. O garoto constrói sozinho uma gigantesca torre de granito para ver o mar. Também captura as estrelas para criar um farol. Já os habitantes da cidade do conto &#8220;Jorogina e o mar&#8221;, de Rogério Manjate, encontram no sobrenatural a explicação para o estranho e trágico destino de uma cobiçada e popular prostituta. O escritor Gonçalo M. Tavares mostra através dos &#8220;Três sonhos&#8221; do personagem Calvino como o cotidiano caótico e estressante da modernidade engole a todos como uma imensa baleia e os aliena a tal ponto que ninguém consegue enxergar os fatos incomuns e belos da vida.</p>
<p>Os personagens de &#8220;Oficina&#8221;, do escritor Manoel de Barros, resolvem seguir os passos do pintor cubista Picasso e mostram que a arte não tem a obrigação de reproduzir a realidade nem se prender a regras. Outro que também não segue regras é o poeta Luís Filipe Cristóvão, em &#8220;Para uma política do real&#8221;, prefere escrever os seus versos em forma de frases, além de comentar sobre sua poética e o conteúdo do poema. Em &#8220;Desejo&#8221;, Maria Valéria Rezende conta em um único parágrafo gigantesco as peripécias de um motoboy para conseguir atender ao desejo da esposa grávida.</p>
<p>Ondjaki em &#8220;O cheiro do mundo&#8221; mostra as lembranças da infância do narrador, mais especificamente a primeira ida à escola. O menino supera o medo e a ansiedade de um jeito bem travesso. Um garoto também é o protagonista do texto de Pepetela,  &#8220;O nosso país é bué&#8221;. Através de Miúdo Lito, o autor mostra os perigos de um patriotismo cego e ingênuo. Nos quintais dos vizinhos do garoto, começa a jorrar petróleo aparentemente sem nenhuma explicação. Lito e outros meninos ficam maravilhados com o fato e começam a gritar por aí que o país deles é bom. O governo fica desconfiado dessa fonte de riqueza misteriosa e resolve interferir.</p>
<p>Cansada de uma vida monótona e de um casamento sem amor, a protagonista do conto de Patrícia Reis (&#8220;Fúria&#8221;) pratica um ato de rebeldia anônimo e solitário na hora de dormir. Outro personagem que supera um momento de crise de uma forma inusitada é o protagonista do texto &#8220;O ministro de Deus&#8221;, do escritor Nelson Saúte. O personagem se torna um pregador. Em troca de dinheiro, ele realiza enterros para as famílias que não têm condições de chamar um padre.</p>
<p>Em “O tradutor ideal”, de Olinda Beja, um soldado africano de uma colônia portuguesa traduz para outros nativos o longo discurso do capitão português Sousa Gomes. A fala do militar luso levou mais de uma hora e meia; a do soldado, poucos minutos e arrancou bem mais aplausos do público. Inconformado com o fato, o capitão pergunta ao subalterno sobre o que ele disse exatamente. A resposta do soldado é disconcertante e inesperada, além de dar um toque de humor ao conto.</p>
<p>Em &#8220;Se eu e tu&#8221;, João Pedro Mésseder mostra como se escreve um poema romântico sem pieguice e pedantismo. Já em &#8220;Palavra que voa: papagaio&#8221; e &#8220;Alentejo&#8221;, o poeta brinca com o sentido das palavras. Outro que faz jogos com as palavras e seus significados é o escritor Marcelino Freire, porém ele adota um expediente bem original e incomum. No texto &#8220;Tentando entender&#8221;, o autor escreve o texto em forma de verbetes de dicionário interligados. Nessas ligações, o leitor consegue ver episódios nada honrosos da história brasileira como massacres de índios, as perseguições das ditaduras e exploração de trabalhadores.</p>
<p>O projeto gráfico da antologia recebeu um cuidado especial da editora. A capa é uma boa representação da diversidade de conteúdo da obra. Cada nome de autor participante é escrito em um tipo de letra diferente. Há também um blogue para a obra (<a href="http://desacordo-ortografico.blogspot.com/">http://desacordo-ortografico.blogspot.com</a>). Lá estão vídeos de divulgação com autores, editores e convidados lendo trechos da obra.</p>
<p><em>Desacordo ortográfico</em> é uma boa introdução para aqueles que querem conhecer as peculiaridades das literaturas em português. Também é uma amostra do que  é possível fazer na língua portuguesa em termos literários. Além disso, é uma prova de que boa literatura também se faz quebrando as regras e normas da gramática.</p>
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		<title>Terras devastadas, As</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 20:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Para prosseguirem em sua busca pela Torre Negra, Roland e seus companheiros precisam decifrar o enigma de Blaine, o computador louco]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="As terras devastadas" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/terrasdevastadas.jpg" alt="" width="200" height="288" />AS TERRAS DEVASTADAS</strong><br />
 <em>The Dark Tower III: The waste lands</em><br />
 Série <em>A Torre Negra</em>, vol. 3<br />
 Stephen King<br />
 Tradução de Alda Porto<br />
 528 páginas<br />
 Objetiva, 2005</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O título do terceiro volume dessa mistura de fantasia, terror, ficção científica e faroeste é uma referência ao famoso poema de T. S. Elliot (&#8220;A terra devastada&#8221;), um texto obscuro com sátiras e profecias.</p>
<p>Depois de matar um gigantesco urso chamado Shardik, na verdade um cyborg, o pistoleiro Roland e seus companheiros (Eddie Dean e Susannah) encontram uma pista do paradeiro da Torre Negra. Refazendo o caminho percorrido pelo urso antes de atacá-los, o grupo encontra o Caminho dos Feixes de Luz. São seis feixes que conectam 12 portais, os quais demarcam os limites do Mundo Médio. De acordo com Roland, na intersecção dos Feixes de Luz fica a Torre Negra.</p>
<p>Enquanto ensina Eddie e Susannah a serem pistoleiros, Roland percebe que está enlouquecendo. Isso é consequência da interferência dele no passado do garoto Jake Chambers, no volume anterior. Ao impedir que Jake fosse morto por Jack Mort e enviado ao Mundo Médio, Roland acaba provocando a divisão da própria mente: uma parte que conheceu Chambers, e outra, que nada sabe sobre o garoto. Jake também está sofrendo do mesmo problema de Roland.</p>
<p>Um dos aspectos interessantes da obra é a utilização de sonhos, visões e objetos banais para a resolução de enigmas e superação de obstáculos. Os sonhos de Jake com Eddie fornecem ao garoto pistas de como curar a aparente loucura. As visões com o irmão morto dão a Eddie dicas de como ajudar Roland. Um toco de madeira pode ser a chave de um portal para o nosso mundo.</p>
<p>Após um episódio tenso envolvendo um demônio invísivel viciado em sexo e o monstro de uma casa mal-assombrada, Jake Chambers finalmente se junta ao grupo de Roland. O reencontro do pistoleiro com o garoto é um dos momentos mais tocantes da história. Mais adiante, uma estranha e engraçada criatura chamada Oi se junta ao grupo. O bicho gosta de ficar repetindo as últimas palavras das frases das pessoas.</p>
<p>Para continuarem a seguir pelo Caminho dos Feixes de Luz, o pistoleiro e seus companheiros precisam ir à decadente cidade de Lud para pegar o trem que passa por uma região devastada e perigosa. Em Lud, dois grupos de pessoas degeneradas e insanas, os Pubs e os Grays, brigam pelo controle do local. Jake é capturado por bandidos que vivem no subterrâneo da cidade. Enquanto Roland vai atrás do garoto, Eddie e Susannah procuram pistas sobre Blaine, o computador que controla o trem. Durante a caminhada, eles encontram vários cadáveres pendurados nos postes de Lud. Os habitantes acham que o computador é uma espécie de deus e oferecem a ele sacrifícios humanos.</p>
<p>Blaine é uma máquina psicopata que se diverte assustando e matando os cidadãos de Lud. Além disso, ele é viciado em adivinhações e tem duas personalidades. Eddie e Susannah irão precisar de muito tato e esperteza para lidar com esse computador maluco. Do contrário, eles podem ser queimados por Blaine.</p>
<p>Enquanto acompanha a busca do grupo de Roland por pistas sobre o trem controlado por Blaine, o leitor conhece um pouco mais sobre a história do Mundo Médio e os lendários protetores dos portais dos Feixes de Luz. O urso Shardik era um deles. Os subterrâneos da cidade de Lud guarda vários segredos de um passado esquecido pelos insanos habitantes.</p>
<p>Não se pode esquecer das referências a outras obras do autor. Num dado momento da história, o grupo do pistoleiro encontra as estranhas criaturas do conto &#8220;O nevoeiro&#8221;, do livro <em>Tripulação de esqueletos</em>. &#8220;Coisas voadoras disformes que pareciam pterodáctilos cruzavam esses canos com asas de couro, de vez em quando atacando uma às outras com bicos curvos.&#8221;</p>
<p>O nome do urso que atacou Roland, Eddie e Susannah é uma menção ao romance <em>Shardik</em>, de Richard Adams, em que um caçador acredita que um grande urso seja a reencarnação de um deus. Adams também escreveu o livro <em>A longa jornada</em>, em que os personagens principais são coelhos.</p>
<p><em>– Shardik – murmurou. – Eu conheço esse nome, mas não consigo localizar. Significa alguma coisa para você, Susannah?</em></p>
<p><em>Ela sacudiu a cabeça.</em></p>
<p><em>– O problema é &#8230; – Eddie riu sem jeito. – Eu associo com coelhos. Não é maluquice?</em></p>
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		<title>Circo dos horrores</title>
		<link>http://www.literatsi.com/resenha/livro/circo-dos-horrores-a-saga-de-darren-shan/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 Jan 2010 23:32:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Darren precisa salvar a vida de um amigo, mas para isso ele precisa negociar com um criatura que só aceita sangue como pagamento]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="Circo dos horrores" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/saga-darren.jpg" alt="" width="150" height="225" />CIRCO DOS HORRORES</strong><br />
 <em>Cirque du freak: the saga of Darren Shan</em><br />
 Série <em>Circo dos horrores: a saga de Darren Shan</em>, vol. 1<br />
 Darren Shan<br />
 Tradução de Aulyde Soares Rodrigues<br />
 192 páginas<br />
 Rocco, 2001</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Para tornar a história mais real e o livro mais assustador, o escritor Darren O&#8217;Shaughnessy adotou como pseudônimo o nome de seu protagonista e afirma no prólogo do livro que a narrativa aconteceu de fato.</p>
<p><em>Não espero que acreditem – eu mesmo não acreditaria se não tivesse vivido tudo –, mas</em> [a história] <em>é verdadeira.</em> (&#8230;) <em>O problema com a vida real é que, quando você faz uma coisa idiota, geralmente tem de pagar. Nos livros, os heróis podem cometer erros à vontade. Não importa o que façam, porque tudo acaba bem.</em> (&#8230;) <em>Se você atravessa uma rua movimentada sem olhar, acaba atropelado por um carro.</em> (&#8230;) <em>A vida real é horrível. É cruel. Não se importa com heróis e finais felizes e como as coisas devem ser.</em></p>
<p>Darren é um garoto fascinado por aranhas, ele costumava colecioná-las em seu quarto quando mais novo. Ele até ganhou de presente dos pais uma pequena tarântula. Essa fascinação pelos aracnídeos irá levá-lo a fazer uma &#8220;coisa idiota&#8221; que cobrará um alto preço.</p>
<p>Através de um colega, Shan e seu amigo Lucas, um garoto bagunceiro e esquentado, ficam sabendo da existência de um circo de horrores itinerante. Escondidos, os dois garotos saem à noite para ver o espetáculo de aberrações do senhor Altão, o estranho e assustador dono do circo.</p>
<p><em>Somos um circo antigo</em> (&#8230;) <em>Há quinhentos anos fazemos turnês, trazendo o grotesco para geração após geração.</em> (&#8230;) <em>Apresentamos atos assustadores e bizarros</em> (&#8230;) <em>Os que se assustam facilmente devem sair agora</em> (&#8230;) <em>Tenho certeza de que muitos vieram aqui esta noite pensando que é uma brincadeira. Talvez pensassem que nossas atrações de terror fossem pessoas mascaradas ou desajustados inofensivos.</em> (&#8230;) <em>Cada ato que verão esta noite é real. Cada personagem é único. E nenhum é inofensivo.</em></p>
<p>Com exceção de um incidente envolvendo o homem-lobo, que arrancou a mão de uma espectadora, o espetáculo ocorreu de forma segura. Darren iria conhecer o ser que seria a sua perdição, Madame Octa. Ela é uma aranha assustadora e possui um veneno extremamente letal. O treinador dela é um vampiro chamado Larten Crepsley.</p>
<p>Ao cometer a besteira de roubar Madame Octa, Darren estaria colocando em perigo sua família e amigos, além dele mesmo. Para salvar Lucas, que fora mordido pela aranha, Shan faz um acordo com um ser das trevas. O garoto é obrigado a abandonar a escola e a família. Para piorar tudo, o melhor amigo de Darren, Lucas, vira seu inimigo.</p>
<p>A história de Darren é cheia de reviravoltas, o leitor mal tem tempo para se recuperar dos sustos. Cada final de capítulo tem uma ação ou fala que deixa bastante curioso para saber o que vem a seguir quem lê a narrativa. O leitor é envolvido e fisgado pelo autor.</p>
<p>Ao fim da leitura do primeiro volume da série <em>Circo dos horrores</em> ficam as expectativas de novos sustos e reviravoltas, além da imensa vontade de devorar rapidamente os próximos volumes.</p>
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		<title>Mundo de Sofia, O</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 23:03:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[história da filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Jostein Gaarder]]></category>
		<category><![CDATA[O mundo de Sofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um passeio pela história da filosofia totalmente indolor e muito divertido]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" title="O mundo de Sofia" src="http://www.literatsi.com/images/resenhas/livros/mundosofia.jpg" alt="" width="200" height="304" />O MUNDO DE SOFIA</strong><br />
 <em>Sofies verden</em><br />
 Jostein Gaarder<br />
 Tradução de João Azenha Jr.<br />
 552 páginas<br />
 Companhia das Letras, 1995</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Sofia Amundsen é uma garota que está prestes a completar quinze anos. Numa certa manhã, ela encontra na caixa de correio um bilhete anônimo com a pergunta &#8220;Quem é você?&#8221;. Em seguida, mais outro bilhete, com a pergunta &#8220;De onde vem o mundo?&#8221;. Para deixar a situação ainda mais estranha, a jovem protago nistacomeça a receber cartões de um major que está no Líbano, mas eles estão endereçados à filha dele, Hilde Knag, que faz aniversário no mesmo dia que Sofia. O major e sua filha são totais estranhos para a garota. Em compensação, o militar parece conhecer muito bem a vida da Sofia.</p>
<p>Os bilhetes anônimos e os cartões postais são apenas o começo de uma história de mistério que leva o leitor a um agradável e divertido passeio pela história do pensamento ocidental, indo dos pré-socráticos até os pós-modernos, e passando por Jesus e Darwin. Enquanto procura respostas para os mistérios que a cercam, Sofia passa a receber lições de filosofia do professor Alberto Knox. Através desse personagem e utilizando uma linguagem clara e didática, o autor vai apresentando as diversas correntes filosóficas.</p>
<p>Utilizando elementos do cotidiano de Sofia e outros recursos à mão, Jostein Gaarder vai tornando claras para o leitor as ideias abstratas da filosofia. O brinquedo Lego ajuda a compreender as teorias de Demócrito, formas de bolo auxiliam na compreensão do mundo das ideias de Platão, uma igreja é o ambiente ideal para discutir o pensamento medieval. E que tal usar personagens de Charles Dickens e de Hans Christian Andersen para explicar Karl Marx?</p>
<p>A cada lição, Sofia vai caminhando em direção à solução de mistérios que envolvem estranhos fenômenos, como cachorros falantes e aparições de personagens dos contos de fada, e o major que escreve os cartões postais. No capítulo sobre o pensamento de Berkeley, a misteriosa ligação entre Sofia e Hilde é desvendada e a verdadeira identidade do major também é apresentada. As lições posteriores irão ajudar a protagonista a lidar com os problemas decorrentes das revelações.</p>
<p>Talvez alguns leitores reclamem que determinado filósofo ou corrente de pensamento foi abordado de maneira superfial ou não foi mencionado. Por exemplo, algumas  ideias de Nietzsche são mencionadas rapidamente na parte da história que aborda o existencialismo. Porém, deve-se lembrar que a proposta do livro de Gaarder é ser uma introdução, não esgotar o assunto nem ser uma obra de referência como dicionários e enciclopédias.</p>
<p>Ao término do livro, o leitor pode chegar à conclusão de que através da filosofia as pessoas podem se libertar das correntes que as prendem à escuridão da ignorância, tornando-se donas de seu próprio destino. A parte final de <em>O mundo de Sofia</em> ilustra isso de forma surpreendente e bastante criativa.</p>
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